A mini-polémica que já se gerou neste blogue em torno da
eventual qualidade literária de O Braço Esquerdo de Deus levou-me a pensar
nisto: qual será a característica fundamental de um grande escritor? Qual será
a marca distintiva de um génio literário?
Depois de uma breve reflexão identifiquei TRÊS traços que
julgo caracterizar esses génios. Melhor ainda: estou convencido que os grandes
escritores se podem encaixar em QUATRO categorias: três grupos que equivalem a
essas três dimensões e os génios supremos que eu julgo serem os que aliam essas
três dimensões.
Hoje ficarei pela primeira dimensão: os escritores cujo
talento de baseia na IMAGINAÇÃO.
Se Paul Hoffman fosse um grande escritor, pertenceria a esta
categoria. Mas não é. Na minha opinião, obviamente.
A imaginação fértil de alguns escritores permite-lhes contar
estórias que nos encantam; eles fazem da criação a sua arma. Inventam situações
e desfechos que nos deixam maravilhados.
Alguns dos exemplos mais brilhantes que recordo assim de
repente:
Dan Brown, pelo
menos em Anjos e Demónios; Arturo Perez-Reverte,
principalmente na primeira fase da sua carreira, em que nos maravilhou, por
exemplo, com as aventuras do Capitão Alatriste; o também espanhol Carlos Ruiz Zafón, com centenas de
páginas de pura criatividade; estes são verdadeiros artistas da imaginação. Na literatura
sul-americana há vários exemplos destes génios da imaginação, como o
verdadeiramente fantástico Gabriel
Garcia Marquez, mas também Isabel
Allende e Luís Sepúlveda.
Gostava de destacar, um pouco acima de todos estes, dois
enormes contadores de histórias: Paul
Auster e Haruki Murakami. No entanto,
a genialidade destes já os aproxima das categorias seguintes e já os coloca bem
perto da categoria dos génios supremos.

