terça-feira, 2 de dezembro de 2014

A Fórmula de Deus - José Rodrigues dos Santos

Comentário:
Aquilo de que não gostei neste livro resume-se a muito pouco: algum exagero nas explicações científicas, por vezes repetitivas, redundantes mesmo. Esse aspeto retira alguma fluidez à leitura e pode desagradar a leitores mais desejosos de um ritmo narrativo rápido. Mas fica por aqui a minha crítica negativa.
O que de positivo posso dizer é muito mais significativo. Sem tirar  interesse às aventuras de Tomás Noronha, JRS oferece-nos um presente notável: uma obra de divulgação cientifica riquíssima, a fazer lembrar o grande e saudoso Carl Sagan. O livro tem 570 páginas mas só consigo fazer uma pequeníssima ideia dos milhares de páginas que o autor leu para compor esta obra. 
Tudo começa com uma enigmática conversa entre Einstein e o antigo primeiro ministro israelita Ben Gurion. Dessa conversa resultou a elaboração, pelo génio da ciência, de um documento cientifico que, na interpretação dos espiões norte-americanos e, mais tarde, dos serviços secretos iranianos, de um plano para uma bomba atómica potente e acessível. Lentamente, ao longo do livro, JRS vai dando pistas para que o leitor vá descobrindo que o conteúdo do tal documento é bem diferente. No entanto, é o "nosso" Tomás Noronha que se vê "emparedado" entre americanos e iranianos. 
Pelo meio fica um admirável passeio pelos mais diversos aspetos da evolução do conhecimento cientifico no século XX pós-Einstein, especificamente no domínio da Física. 
Paralelamente, o autor oferece-nos interessantes reflexões sobre a natureza do pensamento religioso e suas relações, sempre explosivas, com o poder político.
Depressa a obsessão pelas armas nucleares vai dando lugar a uma outra obsessão da humanidade: a existência de Deus perante a validade sempre relativa do conhecimento científico. O interesse do livro atinge o clímax quando o leitor é levado a constatar das fronteiras tão ténues entre a física e a metafísica ou, em última análise, entre a ciência e a religião. A aceitação de um Deus criador não está, afinal, tão distante da realidade da própria ciência.
O final do livro, embora não tenha agradado a muitos dos aficionados da escrita de JRS é, a meu ver, belíssimo. A mensagem final tem tanto de surpreendente como de genial pela forma como o leitor é levado a reflectir sobre questões tão fundamentais como a existência de Deus, a origem, os limites e o futuro do Universo e da humanidade.
Em jeito de conclusão: não sendo um génio de criação literária, José Rodrigues dos Santos compensa essa lacuna com um imenso trabalho de preparação e elaboração das suas obras, ao mesmo tempo que revela um certo talento na gestão do "suspense" que imprime ao enredo, levando o leitor a uma certa avidez na leitura. 

Sinopse:
Nas escadarias do Museu Egípcio em pleno Cairo, Tomás Noronha é abordado por uma desconhecida. Chama-se Ariana Pakravan, é iraniana e traz consigo a cópia de um documento inédito, um velho manuscrito com um estranho título e um poema enigmático.
O inesperado encontro lança Tomás numa empolgante aventura, colocando-o na rota da crise nuclear com o Irão e da mais importante descoberta jamais efectuada por Albert Einstein, um achado que o conduz ao maior de todos os mistérios: a prova científica da existência de Deus.
Uma história de amor, uma intriga de traição, uma perseguição implacável, uma busca espiritual que nos leva à mais espantosa revelação mística de todos os tempos.
Baseada nas últimas e mais avançadas descobertas científicas nos campos da física, da cosmologia e da matemática, A Fórmula de Deus transporta-nos numa surpreendente viagem até às origens do tempo, à essência do universo e o sentido da vida.
in www.wook.pt

14 comentários:

São disse...

Olá, Manuel :)
Cá estou eu, se calhar como não podia deixar de ser, sempre que falas de um livro deste autor :)
É, na verdade, como já deves ter percebido um autor cuja escrita me encanta como mais nenhuma. Já li este livro duas vezes, a segunda delas a conselho do próprio autor, aquando da morte da minha mãe... A minha mãe tinha falecido no hospital, aos 75 anos, vítima de doença prolongada, agravada por uma pneumonia, estava na morgue, e o corpo só seria entregue à funerária no dia seguinte.Isto no dia 27 de Março de 2012. Quem consegue dormir numa situação destas? Depois do meu marido adormecer e de todos os amigos que me iam "fazendo companhia" atarvés da net e do telefone terem também sucumbido ao sono, deu-me para escrever a este autor, falei-lhe dos livros, e disse que a minha mãe tinha falecido nessa noite... em resposta, ele lamentou a minha perda e aconselhou-me este romance, que eu já tinha lido, mas que voltei a ler... Com outros olhos, de certa forma...

Acho que é um romance muito bem conseguido e que atinge plenamente o seu objectivo. Como já ouvi o próprio autor dizer várias vezes, procura que os seus romances não sejam meramente um passatempo, mas um ganha-tempo. As histórias com o Tomás às voltas são engraçadas, ajudam à leitura, mas confesso que não as ria ler (até podia ler uma, mas não SETE) se não fosse a enorme carga de informação genuína que trazem com elas. Para mim são um fio condutor. Engraçado, sim, mas apenas um fio condutor, para a passagem de informação.

Este livro é, de certa forma complementado com o que saiu este ano, A Chave de Salomão. Por um lado, pode parecer até que as teorias expostas num e no outro entram de certa forma, em conflito. Mas temos que ter em conta que estamos no campo das teorias. Há ainda muito para explorar e descobrir, tendo em conta que , anda que as experiências possam estar comprovadas, o seu significado não confere consenso entre os cientistas.

Sim, não é um génio da criação literária, pelo menos não da forma que se institucionalizou como politicamente aceite, que nos foi incutida nas aulas de Português da escola e, no meu caso, em 5 anos de faculdade. Mas acho que há lugar para todos :) . Aliás, não sei bem o que é um génio da criação literária. Há vários géneros de criação literária. Se há elemento que considero fundamental em Literatura, tendo em conta que a palavra é tudo o que temos, é a descrição. E isso eu acho que este autor faz como ninguém.
Reparaste na descrição do ambiente da paisagem quando o Tomás e a Ariana se envolvem pela primeira vez? Na minha edição está entre as páginas 373 e 376. Está genial. Foi dos pontos mais altos, para mim, a nível literário, deste romance. O contraste entre as cores, entre o frio e o calor, a luz e a sombra, tendo como cenário a paisagem do Tibete e como pano de fundo o Yin-Yang, o macho e a fêmea, a dualidade que dá origem a tudo, culminando com o envolvimento dos dois numa simbiose com a paisagem, e, consequentemente com toda a ideia do romance não é para qualquer um. Tomara muita gente que anda para aí a escrever cenas eróticas com algemas e chicotes ter a capacidade de escrever uma cena erótica com tanto significado e conteúdo.

Outra passagem do livro que me mostrou como as descrições do JRS são eficazes é quando o Tomás estás prestes a se injectar com veneno letal. Eu sabia que dificilmente o herói morreria. Aliás, sabia que era literariamente impossível... Mas ainda assim senti a ansiedade a crescer dentro de mim e só descansei quando vi que ele não se suicidava mesmo. Aliás, "pior" foi quando na segundo leitura senti a mesma ansiedade, a mesma aflição. Isso só significa uma coisa: uma descrição tremendamente bem feita.

Um abraço, Manuel. Aconselho-te a ler o que saiu este ano, A Chave de Salomão, pois é , de certa forma, um complemento deste.

Abraço :)

Manuel Cardoso disse...

Olá São
compreendo perfeitamente essa tua admiração pelo autor. Aliás, estou cada vez mais convencido que, para lá do profissionalismo, do talento e da imensa capacidade de trabalho, Rodrigues dos Santos é, genuinamente, um excelente ser humano. E eu sou daqueles que não consegue separar o homem do escritor.
A tua história do falecimento da tua mãe é comovente e agradeço essa tua força e sinceridade para a teres partilhado connosco. Na verdade, um dos maiores méritos deste livro é a esperança que ele nos dá em relação ao futuro da humanidade. Há uma luz de esperança no futuro e nos tempos que correm isso é muito importante para todos nós.
Quanto àquilo que eu chamo de génios da criação literária, há um livro que saiu há uns vinte anos chamado Os Criadores, de Daniel Boorstin que define bem o que é um génio criador. Acima de tudo, em literatura (e não tenho formação cientifica como tu, portanto isto é subjetividade pura) é alguém que faz qualquer coisa de belo que ninguém tinha feito antes.É alguém que criou novos caminhos. Ora, na literatura portuguesa, na minha opinião, não houve mais que 4 ou 5 génios criadores: Camões, Pessoa, Eça, Saramago e um ou outro que me possa estar a esquecer de momento. Mesmo o melhor escritor português vivo (na minha opinião) Mário de Carvalho, não é um génio criador.
Quanto à capacidade descritiva de JRS concordo contigo; é um dos pontos fortes do autor.
Já anotei a tua sugestão (A Chave de Salomão). Irei lê-lo em breve. Já agora, não sei se concordas comigo, um dos aspetos mais negativo das obras de JRS (que não é culpa do autor) é o preço muito elevado dos livros. São caríssimos e dinheiro é coisa que não abunda hoje em dia :)
Beijinhos e volta sempre :)

São disse...

Claro que concordo, Manuel, toda a gente concorda. Porque será que os livros dele são tão caros? Na verdae, eu sou capaz de fazer mais depressa um esforço para dar 20€ por um livro dele do que dou 15 ou 16 por outro a meu ver inferior.... Mas isso sou eu, que admro imenso o trabalho do autor e a pessoa em si. Tenho a certeza que muitas pessoas deixam de comprar os livros por serem tão caros. Tenho a certeza. Nunca ouvi explicação nenhuma sobre isso. Não sei porque os livros dele são tão caros.

Desses quatro que referes, concordo, evidentemente, embora destaque o Pessoa e o Eça, pessoalmente. Mas é apenas uma questão de gosto pessoal, porque gosto dos quatro...

Eu tento separar as pessoas dos escritores, senão nunca tinha conseguido ler nada de António Lobo Antunes :D ... Ainda assim, tenho que procurar eufemizar e acreditar que "não é defeito, é feitio", mas também me é sempre difícil, porque acho que as pessoas se acabam sempre revelar naquilo que fazem. Neste caso, na escrita. No fundo, as pessoas são aquilo que fazem.

No caso do JRS, é realmente uma pessoa que admiro imenso. Já a minha mãe o adorava enquanto jornalista, embora não o lesse, porque era pessoa que lia pouco mais do que Sabrinas e Biancas (uns livrinhos de romances muito simples, que eu nunca li)via-o como um miúdo (e para ela era, na verdade, a minha mãe se fosse viva teria feito 78 anos em Setembro, ele tem 50, logo, era um miúdo)... Acho que foi por isso também que me lembrei de escrever para ele naquela noite... Acho que ele é uma pessoa muito genuína, muito transparente e bem disposta. Sinto uma grande amdiração e respeito por ele, embora nunca o tenha visto. Gostava de um dia ir a uma apresentação de um livro dele, mas vivendo no algarve é difícil.

Há pouco tempo... Foi no passado dia 12, curiosamente no dia dos meus anos, ele esteve como convidado no programa da tarde da RTP, o programa do Hérman José, e foi mostrado um lado muito humano dele. Humano e bem disposto. Ri imenso. Por acaso, quando o Hérman pegou nas tardes da RTP eu interroguei-me se ele não iria lá quando lançasse o livro, porque as entrevistas que o Hérman lhe faz são sempre muito engraçadas, abordam um lado mais pessoal, mas sem exageros... Foi muito giro. Então na última parte em que a família fala sobre ele e ele está calado, muito emocionado, foi giro e comovente :)

Abraço. Eu vou aparecendo, sempre que puder :)

Manuel Cardoso disse...

O Lobo Antunes é um caso estranho. A escrita dele é de uma sensibilidade tremenda. Por outro lado, como pessoa, parece que é o mau feitio personificado. Mas gosto muito da escrita dele e até admiro um certo humanismo nas suas obras; houve um tempo que fui adepto fanático dos livros dele. Há um que adorei mesmo: Ontem não te vi em Babilónia.
Não vi a entrevista com o Herman; por falar no Herman: conheço pessoas que o conhecem de perto e que dizem que é uma excelente pessoa e que aquele ar vaidoso não corresponde à realidade.
Enfim, também há vips humanos :)

São disse...

Olá mais uma vez, Manuel :)
Andei à procura de um email teu no perfil, para te dar o link da quarta parte da entrevista, que foi a parte mais engraçada, mas não encontrei. Posso, no entanto pôr aqui, pois se é o lnk de um programa que passou na televisão, não é nada de pessoal. Se dás importância ao lado humano dos escritores, vê isto porque é muito engraçado :) . Mostra um lado muito humano dele e até engraçado. Eu já conhecia a maior parte daquelas histórias, mas não pude deixar de rir. Acho giro conhecermos um lado mais humano das pessoas. Ele entra logo na tercera parte do programa, mas essa quarta parte é mais engraçada, mostra o lado mais humano. Mas dessa podes passar também para a terceira, que é onde ele fala sobre "A Chave de Salomão". Só pensei no link dessa por mostrar um lado mais humano. É giro vê-lo a falar da família e a própria família a falar dele, no meio de boa disposição.

O Herman é boa gente :) . Tudo me leva a crer isso. Sabes, as pessoas às vezes acham certas figuras públicas arrogantes, porque há uma tendência a confundir as coisas. Muitas vezes abordam-nas em s´tios públicos, quando as pessoas querem estar à vontade na sua vida. É natural que muitas vezes reajam com certa distância e frieza, porque senão acabavam por não ter privacidade nenhuma. Há sítios para abordarem as pessoas, mas muitas vezes as pessoas não entendem isso e depois confundem alguma distância natural com arrogância e mau feitio.

O Lobo Antunes parece-me um caso indubtável de stress de guerra... sendo ele psiquiatra deve de estar consciente disso, mas provavelmente gosta se der assim :) ... Eu gosto de um livro dele não muito aclamado, que é "O Auto dos Danados"

Deixo-te aqui o link que mostra um lado muito humano do JRS :)

http://www.rtp.pt/play/p1630/e172283/rtp1/392654

Vê que é giro :)

Um abraço :)

Manuel Cardoso disse...

Pronto, já atualizei o perfil.
Irei ver o video; obrigado.
Já comprei A Chave de Salomão
beijinhos e obrigado

São disse...

Ah, não era necessário actualizares o perfil só por causa disto :) .... Eu pensei em mandar em privado por ser um link de uma entrevista assim um bocado pessoal, mas foi na televisão pública em plena tarde, não tem nada que diga que tem que se falar dela em privado :)

Vê, que é engraçado :)

rui alex disse...

é o meu livro favorito do JRS.
não achei particularmente que as explicações das teorias da Fisíca fossem repetitivas. Foi mais o caso de ser aos bocadinhos ao longo do livro.
Foi entusiasmante aprender sobre a teoria vigente no livro. Agora é uma ideia popular mas na altura foi uma revelação para mim. A comparação com o Carl Sagan nesse aspecto não é descabida.
E tem o Einstein como personagem!

Olinda Melo disse...


Li e gostei muito.
Concordo quanto ao excesso de explicações científicas mas não desgostei. Aliás, em todos os livros este autor tem a preocupação de ir para além da trama.O que muito me apraz.

Obrigada pela análise.

Abraço

Olinda

Sara disse...

Puxa até estou com medo de comentar...Apanhei uma desilusão com este livro: escrita, personagens, enredo...Nada me agradou à excepção das explicações científicas que achei interessantes. Bem que fiz um esforço :\

São disse...

É normal, Sara :) ... Nem todos podemos gostar do mesmo :) . As pessoas são dferente, logo gostam de coisas diferente e têm identificações diferentes e diferentes empatias. Há quem adore Margarida Rebelo Pinto e eu tentei pegar num livro dela e não consegui ler mais de três páginas. Não houve empatia alguma. Tal como nunca consegui ler Agustina Bessa-Luís... Ou melhor, fui obrigada a ler no 12º e depois obriguei-me a ler outro de que já não me recordo o nome, a ver se dava outra oportunidade, mas não consegui gostar. Dá-me a sensação de que os romances dela acabam a meio e que a partir de uma certa altura já não há nada a descobrir... Mas lá está: as pessoas são diferentes, gostam de coisas diferentes, têm empatias diferentes. Tem muito a ver com as nossas características interiores, talvez.

Eu também não esperava, quando o José Rodrigues dos Santos começou na escrever, que ele se viesse a tornar no meu escritor favorito. Nunca tal coisa me passou pela cabeça, ainda que o admirasse imenso enquanto jornalsta e simpatizasse como ser humano. Mas nunca pensei que me identificasse tanto com a escrita dele. São coisas que não se explicam. Não é o escritor perfeto, mas eu também não sou a leitora perfeita, portanto...

Isso das repetições é normal nele e tem a ver com o facto de ele recear que o leitor não entenda o que ele diz. E então repente, e dá ênfase, e afinca... Mas é próprio dele... Nunca repararam que o Telejornal da RTP quase que dispensava outra pessoa para a linguagem gestual? :D

Atençaõ ainda que eu aconselhei "A Chacve de Salomão" como complemento deste, mas é um bocado mais complicado... Ele bem se esforça, mas Física Quântica não é propriamente pêra doce :)

:)

Manuel Cardoso disse...

Sara, compreendo-te perfeitamente. Aliás eu sempre tive o pé atrás em relação a este escritor; talvez por isso li-o de forma despretensiosa, talvez à espera de uma deceção e essa falta de expetativas talvez tenha ajudado a que eu ficasse surpreendido.
Conheço pessoas que não gostam de JRS por lhe encontrarem defeitos cientificos; eu não vejo nisso grande defeito porque isto é um romance. E conheço outras pessoas que não gostam de JRS por ele cair demasiado no cientismo; eu não vejo nisso grande defeito porque o encaro como uma espécie de divulgador cientifico. Por outras palavras, as obras de JRS são um pouquinho de tudo isso; uma mescla de ciencia, romance e, acima de tudo, muito humanismo. Acho que foi por isso que gostei :)

Sara disse...

Não vou tão longe quanto isso...Ciência não é minha praia em termos de conhecimento. Honestamente achei a escrita pobre especialmente os diálogos, o Noronha é péssimo e a informação é metida a martelo...Achei interessante e aprendi algumas coisas, mas não chegou para entender toda excitação em seu redor. Talvez tivesse apreciado mais se me focasse apenas na investigação e não na parte literária, mas...Não descarto ler mais coisas dele, contando que não envolva o Noronha...Claro que é apenas a minha opinião, nada tem que ver com o autor em si.

Manuel Cardoso disse...

Claro!
Ainda assim, dei comigo a pensar: caramba, ele vende que se farta; nós andamos sempre a dizer que as pessoas só leem coisas fáceis, tipo Paulo Coelho ou essa literatura light que por aí anda. No entanto, as pessoas gostam de JRS e deste cientismo todo. Só por isso já JRS merece algum mérito.
Quanto ao Noronha e aos diálogos, eu até gostei... enfim, são opiniões :) é nisto que a arte é bela :) Porque é democrática...