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quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Por quem os sinos dobram - Ernest Hemingway


"...a morte de qualquer homem diminui-me, 
porque sou parte do género humano, 
e por isso não me perguntes por quem os sinos dobram; 
eles dobram por ti"

John Donne

Comentário:
Este livro é um marco histórico na literatura mundial do século XX. Publicado em 1940, ele é mais um testemunho dramático e sentido desse período tão negro da história da humanidade. Neste caso, Hemingway transpõe para o livro o reflexo da sua própria experiência pessoal: depois de ter combatido como voluntário na Guerra Civil de Espanha, em que alinhou nas brigadas republicanas, contra os fascistas, este enorme escritor faz refletir no protagonista essa mesma experiência. E é na sua habitual voz poética que o faz. Hemingway foi talvez o homem que no século XX melhor conseguiu descrever o drama das guerras na prosa de ficção. 
A ação desenrola-se nos arredores de Segóvia, onde o americano Robert Jordan chega com a missão de dinamitar uma ponte, juntando-se a uma brigada de revolucionários espanhóis. Todo o enredo se desenrola durante os dois dias que antecedem a explosão da ponte. Tal como é próprio de Hemingway, não é preciso um enredo muito factual para manter o leitor agarrado ao livro ao longo das suas 500 páginas. O poder e o encanto deste livro estão na força tremenda das palavras mas que refletem a força da personalidade do autor; um homem que viveu nos limites e escreveu nos limites. Daí a sua admiração por Espanha e pelo povo espanhol: um povo sem moderação, sem meios-termos; um povo que é amor e sangue; dor e paixão. 
Um dos aspetos mais significativos desta obra é o facto de os personagens praticamente não saberem nada sobre o desenrolar da guerra; mau grado arriscarem a vida em nome de um ideal que mal conhecem (a República), eles são meros peões. No entanto, nas suas vidas, a guerra deixou de ser um meio para se tornar um fim em si. Para eles o importante já não é para que serve a guerra mas sim como cumprir o seu papel na guerra.
Mas a guerra não é feita de ideais; a maioria do povo não lutava pela República ou pelo fascismo; lutava pela necessidade de se “agarrar” a um partido; por necessidade de defesa. O álcool, por exemplo, era uma fonte de coragem maior do que qualquer ideal. Muitas vezes a embriaguez era um motivo mais forte para matar do que qualquer ideal. Por outro lado, a multidão é propícia aos exageros; o entusiasmo coletivo é redobrado e a fúria revolucionária fazia surgir verdadeiros atos de terror.
Mas a força e mesmo a violência da escrita de Hemingway é temperada de forma quase mágica com uma espécie de poesia em prosa que nos surpreende em qualquer das suas obras. Este pano de fundo da guerra civil espanhola é o ideal para que o autor ponha em prática essa mescla, porque o povo espanhol e a sua mentalidade refletem precisamente esta mistura: tal como a escrita de Hemingway, os espanhóis são, ao mesmo tempo, violentos e apaixonados. Só os espanhóis são capazes de amar e matar ao mesmo tempo. Violência e amor caminham de mãos dadas ao longo destas 500 páginas tornando esta leitura verdadeiramente apaixonante.

Sinopse:
O mais célebre romance sobre a Espanha em luta com o franquismo conta a história de Robert Jordan, um jovem americano das Brigadas Internacionais, membro de uma unidade guerrilheira que combate algures numa zona montanhosa. É uma história de coragem e lealdade, de amor e derrota, que acabou por constituir um dos mais belos romances de guerra do século XX. «Se a função de um escritor é revelar a realidade», escreveria o editor Maxwell Perkins em carta dirigida a Hemingway após ter concluído a leitura do seu manuscrito, «nunca ninguém o fez melhor do que você».
in www.fnac.pt

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

O Adeus às Armas - Ernest Hemingway


Comentário:
Escritor extremamente versátil, símbolo da chamada"geração perdida" Hemingway é, sem dúvida, um dos mais brilhantes representantes da literatura americana do século XX.
Se a história da literatura fosse um romance, Ernest Hemingway seria a personagem mais fascinante e mais rica. A sua vida foi agitada como os seus romances. Poucos autores deixaram transparecer a sua própria vida, de forma tão clara, para a ficção.  Neste romance, que se desenrola no norte de Itália durante a primeira guerra mundial está bem patente a experiência do autor na guerra civil espanhola. Tal como Hemingway (que foi repórter mas depois também soldado no conflito espanhol), o protagonista vê-se envolvido na guerra, mesmo não sendo propriamente soldado.
Mas o que encontrei de mais fascinante neste livro foi o paralelismo entre a vida individual do Tenente Henry e a vida coletiva, da Itália e da Europa em geral. Hemingway encara o amor atribulado de Henry por Catherine em paralelo com o desenvolvimento da guerra. E a tragédia pessoal será o corolário de uma aventura individual tão intensa e dramática como a própria guerra. A tragédia de um ser humano não é menor que a tragédia de uma nação, de um continente ou da humanidade inteira porque cada homem encerra em si um universo inteiro.
Em termos de estilo, este livro, um dos primeiros de Hemingway, revela já a sua característica fundamental: uma escrita objetiva, sem rodeios nem floreados mas, ao mesmo tempo, com uma tremenda dimensão poética. É isto que mais ninguém consegue: ser objetivo sem perder a beleza poética da própria prosa.
Eis aqui um dos exemplos:
"Quando me tiravam da cama para me levarem à sala dos curativos via pela janela os túmulos recém abertos no jardim. À porta que dava para o jardim, um soldado, sentado, fazia cruzes e pintava-lhes os nomes, o posto e o regimento dos homens que eram enterrados no jardim." (Pág. 75)

Sinopse:
Adeus às Armas, muito provavelmente o melhor romance americano sobre a I Guerra Mundial, é a história inesquecível de Frederic Henry, um condutor de ambulâncias que presta serviço na frente italiana, e da sua trágica paixão por uma bela enfermeira inglesa. Ernest Hemingway foi um dos autores que mais contribuiu para revolucionar o estilo da ficção de língua inglesa. Veio por isso a receber o Prémio Nobel de Literatura em 1954.
in www.wook.pt

sábado, 15 de junho de 2013

O Velho e o Mar - Ernest Hemingway




Sinopse:
O Velho e o Mar é, porventura, a obra-prima de maturidade de E. Hemingway. Santiago, um velho pescador cubano, minado por um cancro de pele que o devora cruelmente, está há quase três meses sem conseguir pescar um único peixe. Vai então bater-se, durante quatro dias, com um enorme espadarte, que conseguirá de facto capturar, para logo o ver ser devorado por um grupo de tubarões. Esta aventura poética, onde Hemingway retrata, uma vez mais, a capacidade do homem para fazer face e superar com sucesso os dramas e as dificuldades da vida real, é seguramente uma das suas obras mais comoventes e aquela que mais entusiasmo tem suscitado, ao longo de mais de meio século, entre os seus fiéis leitores. 
in wook.pt
Comentário:
Um pequeno livro que é muito grande. Uma estória simples, muito simples mesmo, que deu origem a uma das maiores obras-primas da história da literatura mundial. Um velho pescador, um bote, uma cana de pesca e um peixe enorme. Pelo meio uma amizade suprema entre o velho e um jovem. Mas no coração da obra está algo de sublime: a luta incessante entre o velho Salvador e o seu destino; o peixe e o velho, a natureza e o homem, a vida e um destino fatal. A vida como caminho para um lugar onde não há redenção.
O velho Salvador não consegue segurar o peixe preso à linha, como o peixe não consegue segurar o homem; um destino fatal em que homem e natureza se prendem em laços de escravidão mútua. O homem é velho e está só. Mas talvez o peixe também seja velho e esteja só.
Ao longo da luta, homem e peixe começam a identificar-se, como que irmanados na solidão.
Numa luta entre iguais, não há lugar para o medo; o peixe tem a força e o tamanho – maior do que o barco – mas o velho tem a dignidade humana. Uma dignidade tão grande que o seu maior receio é que o peixe veja a sua mão ferida: “é indecente estar assim”, como se na luta o homem perdesse dignidade ao mostrar a sua inferioridade ao adversário: respeitar o peixe é condição essencial para uma luta entre iguais e só assim poderão ser dignos um do outro.
A luta com o peixe vai-se agudizando. A linha vai cortando as mãos do velho pescador; a fome e o sono fazem-no vacilar. Mas a força que vem da vontade faz com que ele renasça constantemente; aqui está a maior metáfora da vida humana: uma luta incessante. Pode ter um fim catastrófico, mas isso é o que menos interessa; no destino do homem está na luta acima de tudo, mas uma luta digna, uma luta em que a dignidade humana tem de vencer, mesmo na derrota.
Já com o arpão cravado, o peixe navega ao lado do barco; o velho não sabe quem puxa e quem é puxado. Nem interessa. Se o peixe fosse transportado no barco, morto ou agonizante, perderia a dignidade e a luta perderia o seu sentido. Assim, é uma luta entre iguais; uma luta honrada em que o velho não se importa de ser puxado por um adversário tão nobre, porque a nobreza do vencedor só engrandece a nobreza do vencido.
Poucas vezes a natureza do ser humano tenha sido relatada de forma tão bela, numa espécie de poesia em prosa que delicia o leitor da primeira à última página. Numa escrita concisa, objetiva mas ao mesmo tempo muito poética, Hemingway escreve assim algumas das páginas mais belas de toda a história da literatura.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2005

O Sol Nasce Sempre (Fiesta)- Ernest Hemingway

Trata-se do primeiro romance de E. Hemingway. Talvez por isso denote uma objectividade de linguagem, uma “simplicidade” assinalável. Mas talvez se trate algo mais: ele consegue construir uma narrativa apenas aparentemente simples: aquilo que escreve são apenas pistas que levam o autor a recriar um enredo mais profundo, como se o autor apenas precisasse de aflorar a ideia, contando com o leitor para construir o quadro. O que mais se destaca nesta obra é a forma pungente, amargurada com que Hemingway aborda o ser humano. Este livro foi escrito em plena década de 20. O mundo (saído da guerra) perdera a inocência e a crença num futuro cor-de-rosa. Daí que deambulasse, como as personagens do romance, entre o terror da morte e o desvario do prazer. Emoções devastadoras, amores confusos e avassaladoras, culminam no entanto num final comovedor, subtil e delicado. Hemingway revela aqui uma visão profundamente amargurada do ser humano. Mas também uma delicadeza emocionada com que analisa a alma humana – uma visão quase ingénua, profundamente crente na bondade humana e na capacidade de amar. O mundo não é mais do que um enorme obstáculo à felicidade. Enfrentá-lo é, no entanto, o único caminho para essa mesma felicidade.