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segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Royal Flash, A Odisseia de um Cobarde - George MacDonald Fraser

Neste segundo episódio da saga Flashman, a Odisseia de um Cobarde, o nosso anti-herói enfrenta duas figuras reais da hiostória europeia do século XIX: a bela e efervescente (em vários sentidos) Lola Montez bem como o terrível e temível Otto Bismark, famoso político alemão. Na verdade, Lola foi uma famosa actriz e bailarina. No entanto, não foi por esses dotes que ficou na História mas sim por ter sido amante de grandes e famosos personagens históricos como o rei Luís I da Baviera e o músico Franz Liszt. Fraser descreve-a e forma de caricatura, expondo os seus modos exuberantes, a sua personalidade extrovertida, ambiciosa e… louca. Flashman que o diga, que foi vítima das suas garras e de um penico voador que quase o matou.
Quanto a Bismark é descrito como um autêntico rufia, capaz de tudo para atingir os seus fins. O grande construtor da Alemanha moderna é neste livro o grande inimigo de Flash (acredito que Fraser não tenha adquirido muitos amigos na Alemanha depois de publicar este livro).
As hilariantes mas dramáticas aventuras vividas pelo nosso herói arrancam-nos gargalhadas contínuas transformando este livro numa saudável e arrebatadora diversão.
O sucesso de Flashman talvez se explique porque todos nós temos um pouco dele. Mais ainda: todos gostaríamos de ser como ele: ter sucesso, tornar-se um herói ao mesmo tempo que escapa de todos os perigos e responsabilidades. E não é só sorte: Flashman é um verdadeiro artista da cobardia; ninguém como ele sabe fugir, utilizando as mais variadas estratégias. Ele é o testemunho vivo da virtude da covardia. Sem os cobardes creio até que a humanidade não teria sobrevivido ao longo da evolução: fugir é uma arte!
A habilidade do autor é notável, ao utilizar um estilo simples, objectivo, muito atractivo e de fácil leitura. Um aspecto curioso: Fraser criou um personagem, o sorumbático e birrento sogro, que tendo uma personalidade contrastante com Flash faz realçar no leitor todo carácter extravagante de Flashman.
A editora Saída de Emergência está também de parabéns pelo notável aspecto gráfico e criatividade com que concebeu uma capa a condizer com a obra.
Em suma, um livro que nos deixa com água na boca em relação ao terceiro episódio. Flashman é, seguramente, um dos personagens mais divertidos e mais habilmente construídos da literatura contemporânea. Uma trilogia a não perder por quem gosta de rir com os livros.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Flashman – A Odisseia de um Cobarde - George MacDonald Fraser

O subtítulo da obra dá o tom e encarrega-se de, por si só, nos prenunciar uma magnífica leitura de férias. É um livro divertido, muito bem-humorado, repleto de peripécias que envolvem o leitor numa alucinada viagem desde Inglaterra às profundezas do Afeganistão.
O primeiro grande mérito deste livro é a leveza da história, que não nos exige grande reflexão. A leitura é fácil e fluida, ideal para fazer descansar as células cinzentas.
Henri Flashman é um aluno falhado, um boémio que acaba expulso da escola por embriaguez. Aldrabão filho de aldrabão, desde cedo se habitua a enganar tudo e todos. O seu lema é fingir sempre. Fingir mas também enganar, roubar e fugir. Aliás, a grande especialidade de Flashman, como distinto militar, é fugir cobardemente em qualquer situação de perigo mas, graças a uma sorte extraordinária e a uma habilidade saloia, acaba sempre por ser bafejado pela sorte, de tal maneira que se torna o maior dos heróis do exército inglês.
Inicialmente, ele é apresentado como o anti-herói. Ele é capaz de cometer actos tão abomináveis como esvaziar o revólver do adversário de um duelo ou envolver-se com a própria amante do pai. Mas, à medida que se torna um herói da guerra, ele vai-se tornando, na mente do leitor, um verdadeiro herói, de tal maneira somos levados a “torcer” por ele nas encrencas em que se envolve. Ele é o maior dos aldrabões, mas é um aldrabão divertido e optimista. Um aldrabão feliz.
Em suma, trata-se de um livro que nos encanta pelo aspecto juvenil, leve e despretensioso de um grande romance de aventuras. No entanto, também nos ajuda a compreender melhor os meandros desse grande império inglês que, em pleno século XIX dominava boa parte do mundo. Neste caso, trata-se da Índia, ou melhor, do império asiático que os ingleses tentavam estender desde a Índia até ao profundo e enigmático Afeganistão.
Uma excelente tradução e uma capa apelativa e muito bem conseguida, completam o ramalhete de um magnífico entretenimento para férias.