Confesso que parti para a leitura deste livro com alguma
dose de masoquismo. Não gosto de boxe e o que aqui se trata é de seis contos
sobre boxe. No entanto, já muitas vezes me surpreendi com livros que, à
partida, também tinham tudo o que é preciso para não me agradar e, no entanto,
revelaram-se boas surpresas. Não é este o caso e as minhas piores expetativas
confirmaram-se: estes contos, principalmente o mais conhecido e que dá nome ao
livro, narra acontecimentos que derivam de uma atividade física que, desculpem-me
a sinceridade, envolve uma violência atroz.
Se levava um pré-conceito pouco abonatório para o livro
tinha também alguma esperança que esta leitura me mostrasse algo de positivo
neste desporto. Nem isso se verificou.
Trata-se de seis contos sem grande qualidade literária,
escritos numa linguagem vulgar, que se leem sem esforço, é certo, mas sem
qualquer primor literário.
O sangue e o sofrimento humano fazem parte da vida, mas
quando eles derivam de uma atividade dita desportiva, tudo acontece como se
esse sofrimento perdesse qualquer sentido. A história da protagonista do conto principal,
que deu origem ao famoso filme do mesmo título, é uma história dramática,
pungente, que desperta a compaixão do leitor e mesmo alguma revolta perante a
injustiça humana. Mas continua a prevalecer aquela ideia de insensatez de tudo
quanto levou ao desastre da personagem.
Mas, independentemente da minha dificuldade em compreender o
espírito do boxe, devo reconhecer que se trata de uma obra que pode ser muito
interessante para quem compreende aquilo que eu não consigo compreender. E
admito que se trate de mera incapacidade minha.
Na imagem, Clint Eastwood e Hillary Swank, no filme de 2004
vencedor de 4 Óscares.
