sábado, 25 de abril de 2015

Por uma nova Esperança


Havia cheiro a pólvora e miséria.
O Monstro fedia  a mofo e berrava por sangue.
E os homens, trémulos, a medo calavam as mágoas, as dores de uma pátria castrada, amordaçada, pisada pelas botas pétreas de dinossauros cinzentos, medonhos.
No ar pairava o cheiro a guerra, o pesadelo de corpos despedaçados que chegavam repartidos por caixões anónimos, revestidos a chumbo, e um povo que chorava de raiva, de fome e miséria.
E pairando acima de tudo isto, para lá das nuvens venenosas do vulcão fascista, uns quantos eleitos do regime continuavam a rugir, receosos do poder do povo mas vomitando raiva.
E tantos anos depois ainda ouvimos os ecos desse rugir, dessas barrigas poderosas alimentadas pela miséria do povo.
Quarenta e um anos depois são novos os fantasmas salazarentos. Vêm agora disfarçados de banqueiros, magnatas dos mercados e políticos de ocasião, paus-mandados e patos bravos sequiosos de sangue. São os novos vampiros, ó Zéca!
Portanto, façamos de novo Abril! Deixemos voar a gaivota! Ressuscitemos a Esperança! E enterremos esse bafio salazarento que por aí ainda nos obrigam a respirar.
Abril Sempre!

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