quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Memórias das Minha Putas Tristes - Gabriel Garcia Marquez

Com as suas singelas 105 páginas, este livrinho lê-se facilmente em poucas horas. Uma leitura leve, divertida mas nada fútil. O início a obra é, no entanto, propositadamente enganador, de forma a quase assustar o leitor perante o choque destas palavras: “No ano dos meus noventa anos quis oferecer a mim mesmo uma noite de amor louco com uma adolescente virgem”. O choque é brutal mas passageiro; na mente do leitor paira o espectro da pedofilia e, por um momento, duvidamos da sanidade mental do autor. Mas, à medida que as páginas vão evoluindo, vamo-nos a percebendo que a prosa se transforma num belo poema sobre a vida. Uma reflexão aligeirada pelo prazer de viver mas sempre humana, sempre profundamente humana! Aos noventa anos, o narrador, escritor e jornalista de profissão, nunca tinha tido sexo sem pagar. Mas o momento de maior loucura, já mergulhado na velhice, é o momento do amor. Pela primeira vez na sua vida, aprende a amar. Mas um amor singelo, puro, sem sexo nem qualquer espécie de despudor. Pela prmeira vez, ele é feliz. Esta “aparição” é o motivo para uma reflexão profunda sobre o sentido da vida. Os obstáculos imensos que se interpõem entre ele e a sua jovem amada poderiam, à partida, contribuir para um tom negro e pessimista do livro. Mas não; todo o enredo tem a ver com a alegria de viver, com o prazer de estar vivo e usufruir do mundo. Ao longo da reflexão que o narrador faz sobre a sua vida prestes a terminar, não há um lamento, não há um arrependimento, como se tudo o que acontece tenha a marca da inevitabilidade, mas sempre num sentido positivo, de gratidão perante o destino. Tudo é celebrado, nada é lamentado.

3 comentários:

Cassiana Martins disse...

Lindissima prosa fluida, sem floreados!!!
Não sei se me é permitido deixar-lhe um convite ao prazer de ler Guilherme de Melo "Ainda havia sol", sendo um dos meus livros favoritos , não posso passar sem o recomendar!!
O seu blog é fantástico..

Anónimo disse...

Não poderia concordar mais, as primeiras páginas deixaram-me duvidosa em relação ao conteúdo do livro e a controversidade com que o autor retrava assuntos mais designados como tabus, todavia tornou-se uma história inspiradora e humana do ponto de vista de quem se aproxima da fugacidade da vida. Aconselho a ler "Cem Anos de Solidão", uma das melhores obras de Gabriel Garcia Marquez!
Obrigado, o seu blogue deu-me vontade de retornar à leitura dos livros em cima de cabeceira e comprar outros sobre que li neste cantinho.

Manuel Cardoso disse...

Muito Obrigado!
Eu já li os Cem Anos de Solidão há uns anos. Não tenho um comentário sobre o livro porque quando o li ainda não tinha blogue. Mas hei de relê-lo
abraço