terça-feira, 5 de janeiro de 2010

O Amante - Marguerite Duras

“O Amante” é um dos maiores sucessos desta escritora que marcou a literatura francesa do século XX. Trata-se de uma obra de cariz auto-biográfico, o que, desde logo, revela a enorme coragem da escritora, tendo em conta o enredo do livro.
A protagonista é uma jovem francesa de quinze anos que se apaixona por um magnate chinês na Indochina (antiga colónia francesa que incluía o Camboja, Laos e Vietname). A jovem, a quem a autora não atribui nome próprio, envolve-se de imediato numa intensa relação amorosa e sexual. Trata-se, obviamente, de um relacionamento considerado “escandaloso” para uma jovem europeia.
Também o relato da vida familiar da jovem é absolutamente chocante: a mãe, antiga professora primária arruinada, viúva, é uma pessoa amargurada, gravemente afectada por distúrbios mentais, recorrendo com frequência a violentos castigos corporais sobre a filha “pecadora” e sobre o irmão mais novo, que acaba por morrer. De toda a família, ele é o único que, no livro, tem nome próprio (Paul). O irmão mais velho, dependente da droga e do crime, é uma pessoa violenta que se alia à mãe no exercício da repressão. Ambos, personificam a maldade e a violência.
Além disso, a miséria material, a pobreza quase extrema, acompanha este quadro absolutamente dramático mas descrito de uma forma chocante pelo realismo.
Trata-se de uma obra que, pelo seu dramatismo, exige do leitor um certo distanciamento em relação às emoções que, inevitavelmente, acaba por despertar. É uma obra marcada pela tristeza, pela revolta.
As mulheres são, em geral, vistas como seres solitários, dependentes e emocionalmente frágeis. E é essa fragilidade, essa solidão, que conduz a jovem até à relação intensa mas efémera com o amante. Este é visto como um ser algo superior, inacessível, porque pertence a “outro mundo”, o da elite endinheirada e poderosa. Mas, ao mesmo tempo ele é desesperadamente frágil por não ser capaz de assumir qualquer compromisso, permanecendo sempre submisso ao poder e ao sistema em que se encontra inserido. Além disso, é notório o choque cultural que afasta o amante chinês da jovem francesa.
Ela não se entrega por amor nem sequer por atracção, mas sim por revolta e solidão. Entrega-se e esvazia-se; a relação não a liberta. Pelo contrário, é a sua paixão pela amiga do reformatório, Hélène, que a realiza, que a gratifica, mesmo não passando de uma paixão platónica e fugaz.
A linguagem, poética e sentida, muitas vezes desesperada, é um dos maiores atractivos deste pequeno romance. Uma leitura que se recomenda com a advertência do necessário afastamento emocional, defesa indispensável a um leitor mais sensível.

15 comentários:

ludmilla disse...

Oi querido tem tanto tempo que eu não venho aki que tah td taum diferente e linduuu ,, Sobre o livro vou dah uma procuradinha aki para v~e se jah voi lançado no brasil , me interresei muito mesmo eu naum sendo a leitora indicada para esses tipos de livro , eu me misturo muito na estória sofro muito com os personagens .ushuhsuhs
bjokass querido

Anónimo disse...

Já li este livro e gostei muito.
Bjs.

Unknown disse...

Olá! Ótima a frase de Stendhal que você destacou no blog, adoro esse autor, no momento estou relendo O vermelho e o negro..
bjos, parabéns pelo blog!

Teresa Diniz disse...

Ando
Bjshá anos para ler esse livro. Talvez agora.

Teresa Fidalgo disse...

É realmente um livro muito bom.
Interessante é perceber-se uma estranha forma de amor que acaba por acontecer entre ambos, própria talvez das raízes culturais de um e da inocência de outra...

Um livro cheio de sentimentos.

Li-o já há uns anos largos e gostei muito. Noutros livros dela... digamos que não apreciei muito a narrativa.

Tânia Marques disse...

Adorei o seu blog. Já estou seguindo-o. Visite também os meus: www.marquesiano.blogspot.com e www.degraucultural.blogspot.com
Beijos.

Eduardo disse...

Parabéns pelo trabalho que realiza neste espaço.
Escolhi como Blog da Semana no Historia Viva, caso desejar retire o selo no endereço http://historianovest.blogspot.com/2010/01/blogs-da-semana_11.html

Parabéns

ARTUR RICARDO disse...

Parabéns! Achei muito culto o seu blog, tem um conteúdo muito rico e dinâmico. passo a partir de agora segui-lo.

VALTER FIGUEIRA disse...

Adorei seu blog
vou procurar ler os livros que indica
quem sabe um dia
voce lerá o neu e indicará tanbém
um abraço
valter

Unknown disse...

Ludmilla, se te envolves muito na personagem, não te aconselho a leitura. Chega a ser deprimente, embora se trate de uma excelente obra literária.
Lívia, acho que a frase do Stendhal resume bem o que andamos, todos ,nós aqui a fazer. :)
Teresa Fidalgo, trata-se mesmo de uma forma de amor muito estranha, entre dois seres absolutamente desiguais. Em tudo. Este tipo de sentimento torna-se por vezes perturbador e reflecte toda a complexidade da alma humana.
Tânia, não tenho tido tempo, mas não esquecerei a visita atenta aos seus blogs.
Artur e Valter
é muito significativo para mim ler as vossas palavras. Gratificante.
MUITO OBRIGADO A TODOS
um abraço!

Eduardo disse...

Parabéns pela postagem.
Agradeço pelo comentário no História Viva.Fico muito feliz
abraços

Lucia Constantino disse...

Satisfação enorme encontrar seu Blog - excelente! E ainda por cima, esse texto sobre O Amante, de Duras -- é realmente um livro extraordinário. É sim, prosa, mas uma prosa plena de poesia bela, cruel e expressiva. Como, aliás, também encontramos em outros livros de Duras, como Emily L, A Dor, O Vice-Cônsul e outros. Amo essa escritora maravilhosa, que para mim, atinge a perfeição na exposição da dualidade humana em todos os seus livros. Amei estar aqui, seu Blog é repito, excelente!

Unknown disse...

Obrigado, Lucia. Fico muito feliz por ter gostado. Obrigado.

成人影城 disse...

h漫卡通成人動畫
情色辣妹聊天
免費a片卡通版
情色成人網
av情色性愛視頻
免費視頻美女
av情色性愛視頻
免費a片卡通線上看
成人動畫卡通

kingceme disse...


Agen Bola

Judi Bola

Judi Online

Agen Sbobet