domingo, 21 de julho de 2013

O Conde de Monte-Cristo - Alexandre Dumas



 
Sinopse
A história de um homem bom a quem roubam a liberdade e o amor. Um homem que regressará coberto de riquezas, vingador impiedoso e infalível, para além de toda a lei humana ou divina. Edmond Dantés quer reaver a mulher que amara, vingar-se dos seus inimigos, desafiar o destino…
Grande obra de um dos romancistas mais populares em todo o mundo e o mais célebre dos ficcionistas românticos franceses, autor de Os Três Mosqueteiros e A Tulipa Negra, entre outros.
«Quem disse que não vale a pena ler ou reler os clássicos? “O Conde de Monte-Cristo” é um dos absolutamente obrigatórios. As Publicações Europa-América fazem agora a reedição deste romance num exemplar de quase mil páginas que se lêem num abrir e fechar de olhos.» — 24 Horas
Um romance imortal. Um filme extraordinário do realizador de Robin Hood: Princípe dos Ladrões com Jim Caviezel, Guy Pearce e Richard Harris.

 in Wook.pt
Comentário:
Este é, se dúvida nenhuma, um dos livros mais emocionantes que li até hoje.
O Conde de Monte Cristo é, à partida, um exemplo monumental do romantismo literário francês do século XIX. Publicado no mesmo ano que Os Três Mosqueteiros, faz com este outro livro um par de obras monumentais, que deixaram Alexandre Dumas entre os mais geniais escritores de sempre.
Neste livro estão bem patentes todas as caraterísticas do género romântico: o heroísmo de um homem injustiçado, que combate pela vida e pela vingança; o testemunho histórico de uma época em que a honra de um homem tinha mais importância do que a própria vida; a visão romântica de um passado em que a ação humana poderia redimir pecado e corrigir injustiças.
Mas, a meu ver, há algo mais que marca o romantismo francês oitocentista, em algumas das suas obras mais relevantes: é que o heroísmo, neste livro por exemplo, não emerge necessariamente da honra dos nobres e tradicionais espadachins; emerge da pobreza, da injustiça e do sofrimento humano. O Conde de Monte Cristo, ou Edmond Dantès, não é comparável ao Quijote que luta pela honra da fidalguia nem sequer a um D’Artagnant que pugna por grandes ideais. Assim, esta tendência humanista do romantismo francês, fica claramente exposta neste livro, como n’Os Miseráveis, de Victor Hugo, aproximando-se mais do romance britânico de Stevenson.
É esta dimensão de defesa da justiça social, herdeira dos nobres valores da Revolução Francesa que tornou heroica a obra deste escritor. Como diríamos hoje, escritores como Hugo e Dumas foram verdadeiros escritores de intervenção.
Curiosamente, a maioria destes romances transformaram-se, no século XX, em livros conotados com a literatura infanto-juvenil. Custa-me entender porquê. Livros como O Conde de Monte Cristo devem ser lidos por qualquer pessoa que, simplesmente, goste de ler. O Conde de Monte Cristo é uma sublime obra-prima da literatura mundial.
Neste livro, qualquer leitor, jovem adulto ou idoso, devora as mais de 1500 páginas com uma vontade indómita de desvendar os mistérios e de galgar as etapas heroicas da vingança do desventurado Edmond Dantés. No entanto, quando Edmond, o infeliz, se transforma no rico e todo poderoso Conde de Monte Cristo, ele transforma-se também no redentor de todas as misérias e de todas as injustiças.
Mas nesta edição que me foi dado ler, nem tudo são rosas. A verdadeira mancha negra desta edição da coleção Geração Público é a tradução.
Os erros de tradução atingem o inacreditável no início do capítulo 100, onde podemos ler: “Todas as manhãs Morrel telefonava para Noirtier para saber notícias de Valentine…”
Esta frase, para além da repetição abusiva da palavra “para”, contém dois erros gritantes:
- O personagem Noirtier era mudo, pelo que nunca poderia informar nada por telefone.
- Mais incrível ainda: a primeira versão de telefone foi inventada em 1860 e Dumas acabou de escrever este livro em 1844!!!
Para tirar todas as dúvidas, procurei uma edição francesa. Encontrei o e-book no site do projeto Gutenberg e, afinal, a frase original é (pasmem):
Chaque matin Morrel venait chez Noirtier prendre des nouvelles de Valentine…”
Penso que não é necessário acrescentar nada…
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