sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Opinião - Afinal o tamanho é importante?


Os dois melhores livros que li até hoje (D. Quixote e Os Irmãos Karamazov) são absolutamente monstruosos (mais de 1500 páginas nas edições que usei). Outros livros considerados obras-primas da literatura mundial são do mesmo quilate: Guerra e Paz, Os Miseráveis, Ana Karenina, Doutor Jivago, etc. Isto leva-me a pensar no seguinte: o que distingue, de facto, uma obra-prima? Se é a análise aprofundada do comportamento humano, então, não tenhamos dúvidas, o homem é um ser tão complexo que não se consegue ir às profundezas da alma sem se fazer um “tratado” capaz de funcionar como arma de arremesso se nos assaltarem a casa.
Por outro lado, há livros fantásticos que se lêem numa única insónia: Madame Bovary, A Metamorfose, Inventar a Solidão, O Estrangeiro, De Profundis, A Morte de Ivan Ilich, ou o recente e maravilhoso Firmin.
Mas… poderão estas últimas ser consideradas obras-primas? Não serão apenas leituras e interpretações parcelares da vida e alma humanas?
Esta reflexão leva-nos a uma outra questão: afinal, o que queremos dos grandes livros? Que nos analisem profundamente ou que nos ofereçam belas histórias? Que nos ocupem longos serões e nos obriguem a memorizar centenas de nomes ou então que nos distraiam apenas?
Será o nosso tempo tão pouco valioso que nos possibilite utilizar centenas de horas para ler três ou quatro obras?
Evidentemente tenho as minhas respostas a estas questões. No entanto, gostava que os meus amigos pensassem no assunto…
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