segunda-feira, 5 de setembro de 2011

A Marca do Assassino - Daniel Silva


Publicado em 1998, A Marca do Assassino foi o primeiro sucesso literário deste escritor português radicado nos EUA. Trata-se de um (mais um) exemplo das estórias de espionagem que maravilham um determinado público que anseia por emoção e suspense. Devo dizer que de vez em quando me incluo nesse público e foi por isso que li este livro. E não me arrependi; lê-se com uma velocidade vertiginosa porque, com capítulos pequenos e muita acção, permanece sempre aquela habilidade do escritor para agarrar o leitor à história. No entanto, como é próprio da maioria dos livros deste género, chega-se ao fim da leitura com aquela sensação esquisita de ter passado bem o tempo mas, “espremida” a leitura… não sai nada!
Alguém já comparou Daniel Silva a John Le Carré. Digamos que a comparação tem razão de ser, da mesma forma que o Marco Paulo é comparável ao Frank Sinatra; pertencem à mesma “família” mas em patamares bem distanciados.
A ideia base do livro até é bem interessante: um horrível atentado terrorista é reivindicado por uma organização islâmica, mas o agente Michael Osborne desconfia dessa reivindicação. Poucos dias depois do atentado, o presidente dos EUA consegue vencer uma reeleição que estava praticamente perdida; e consegue-o graças a um reacção brutal ao atentando, com bombardeamentos no médio oriente; ao mesmo tempo, os magnates das armas nos EUA rejubilam com o desencadear do conflito. Daniel Silva põe o dedo na ferida: por vezes, uma guerra ou um atentado terrorista permitem ganhar eleições e ganhar muito dinheiro.
Posta a questão nestes termos e feita justiça à coragem de Daniel Silva, resta dizer que o restante enredo, se bem que emocionante, não consegue escapar a um amontoado de clichés. Lá encontraremos os assassinos a soldo, impiedosos e sanguinários, as intrigas internacionais, a história romântica do detective chefe de família em dificuldades para cumprir as suas obrigações familiares. Enfim, um romance de espionagem que por vezes se aproxima do banal.
No entanto, repito, não deixa de ser uma leitura agradável.
Avaliação Pessoal: 7/10
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