sábado, 25 de agosto de 2012

José Frèches - L'empire des larmes - Le sac du palais d'Été

Sinopse:
Dans les pavillons et les jardins de la Cité interdite, une rumeur court : la " Sibérienne " est de retour à la Cour et l'empereur Daoguang est retombé dans les filets de cette sublime étrangère. Elle est venue réclamer le fils né de sa liaison avec le souverain, dix-huit ans auparavant, et qu'on lui a arraché à la naissance. Cet enfant, c'est La Pierre de Lune qui, parfaitement ignorant de son illustre origine, cherche désespérément la jeune Anglaise dont il est tombé amoureux. Trouvera-t-il son âme soeur dans ce pays assiégé par les Occidentaux ? Saura-t-il forcer le destin dans la fureur qui s'annonce et conduira inexorablement au saccage du magnifique palais d'Eté, joyau de la Chine impériale?

Comentário:
Penso que ninguém exceto José Frèches conseguiu de forma tão brilhante transmitir todo o encanto e todas as misérias dessa civilização milenar que é a China. Traqta-se de um mundo que, por tão distante e diferente se nos afigura sempre como uma espécie de mundo encantado.
Neste volume Frèches aborda do período entre as duas Guerras do Ópio, em meados do século XIX, em que os países europeus, principalmente França e Inglaterra procuram a China como um território a explorar ao máximo, nem que seja à custa de lhes fornecer o ópio com que os chineses se torturam e matam a eles próprios.
Por outro lado, protestantes e católicos rivalizam entre si, disputando os chineses não só como almas mas também como fontes de recursos a conquistar. A ambição material e a ambição de poder andam sempre a par e sobrepõem-se claramente à vontade de evangelizar e proteger os autóctones. Estes vivem mergulhados na miséria e na ignorância. Assim os formou o poder político imperial: submissos e humildes. Mas também não foram os europeus capazes de acabar com esta miséria. Nem lhes interessava tal coisa.
Profundo admirador do Budismo e das tradições ancestrais do povo chinês, Fréches escolheu para título desta obra um acontecimento que só é descrito na parte final do livro; no entanto, a pilhagem e destruição do palácio de Verão, por parte dos ingleses, simboliza toda uma história de destruições e humilhações perpetradas pelos europeus, principalmente ingleses, sobre os povos orientais, de quem se pretendia apenas a exploração e o lucro. O negócio do ópio é um exemplo flagrante; ele era perfeitamente legal, praticado às claras por fidalgos e comerciantes “honrados”, mesmo sabendo-se que os pobres viciados chineses viviam em condições degradantes e morriam de forma atroz, mergulhados na dependência.
Enfim, um livro que se lê de forma muito agradável, que nos permite compreender e admirar esta civilização que se hoje é tão temida e admirada, foi durante séculos espezinhada e torturada por um colonialismo egocêntrico e materialista que se arrastou até ao século XX. 
Enviar um comentário