sábado, 15 de junho de 2013

O Velho e o Mar - Ernest Hemingway




Sinopse:
O Velho e o Mar é, porventura, a obra-prima de maturidade de E. Hemingway. Santiago, um velho pescador cubano, minado por um cancro de pele que o devora cruelmente, está há quase três meses sem conseguir pescar um único peixe. Vai então bater-se, durante quatro dias, com um enorme espadarte, que conseguirá de facto capturar, para logo o ver ser devorado por um grupo de tubarões. Esta aventura poética, onde Hemingway retrata, uma vez mais, a capacidade do homem para fazer face e superar com sucesso os dramas e as dificuldades da vida real, é seguramente uma das suas obras mais comoventes e aquela que mais entusiasmo tem suscitado, ao longo de mais de meio século, entre os seus fiéis leitores. 
in wook.pt
Comentário:
Um pequeno livro que é muito grande. Uma estória simples, muito simples mesmo, que deu origem a uma das maiores obras-primas da história da literatura mundial. Um velho pescador, um bote, uma cana de pesca e um peixe enorme. Pelo meio uma amizade suprema entre o velho e um jovem. Mas no coração da obra está algo de sublime: a luta incessante entre o velho Salvador e o seu destino; o peixe e o velho, a natureza e o homem, a vida e um destino fatal. A vida como caminho para um lugar onde não há redenção.
O velho Salvador não consegue segurar o peixe preso à linha, como o peixe não consegue segurar o homem; um destino fatal em que homem e natureza se prendem em laços de escravidão mútua. O homem é velho e está só. Mas talvez o peixe também seja velho e esteja só.
Ao longo da luta, homem e peixe começam a identificar-se, como que irmanados na solidão.
Numa luta entre iguais, não há lugar para o medo; o peixe tem a força e o tamanho – maior do que o barco – mas o velho tem a dignidade humana. Uma dignidade tão grande que o seu maior receio é que o peixe veja a sua mão ferida: “é indecente estar assim”, como se na luta o homem perdesse dignidade ao mostrar a sua inferioridade ao adversário: respeitar o peixe é condição essencial para uma luta entre iguais e só assim poderão ser dignos um do outro.
A luta com o peixe vai-se agudizando. A linha vai cortando as mãos do velho pescador; a fome e o sono fazem-no vacilar. Mas a força que vem da vontade faz com que ele renasça constantemente; aqui está a maior metáfora da vida humana: uma luta incessante. Pode ter um fim catastrófico, mas isso é o que menos interessa; no destino do homem está na luta acima de tudo, mas uma luta digna, uma luta em que a dignidade humana tem de vencer, mesmo na derrota.
Já com o arpão cravado, o peixe navega ao lado do barco; o velho não sabe quem puxa e quem é puxado. Nem interessa. Se o peixe fosse transportado no barco, morto ou agonizante, perderia a dignidade e a luta perderia o seu sentido. Assim, é uma luta entre iguais; uma luta honrada em que o velho não se importa de ser puxado por um adversário tão nobre, porque a nobreza do vencedor só engrandece a nobreza do vencido.
Poucas vezes a natureza do ser humano tenha sido relatada de forma tão bela, numa espécie de poesia em prosa que delicia o leitor da primeira à última página. Numa escrita concisa, objetiva mas ao mesmo tempo muito poética, Hemingway escreve assim algumas das páginas mais belas de toda a história da literatura.

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