segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Os Três Mosqueteiros - Alexandre Dumas


Sinopse
Alexandre Dumas teceu as suas ficções sobre uma trama do século XVII, misturando personagens reais das mais altamente colocadas com personagens imaginárias, conseguindo colocar uma e outras no panteão dos imortais. A sua inspiração faz agir e falar o monarca absoluto Luís XIII e o temível cardeal Richelieu, Ana de Áustria e Buckingham, reviver toda uma época em que se sucedem as aventuras dos seus heróis, D' Artagnan, Athos, Porthos, Aramis e essa fascinante Milady, à volta da qual a acção se desenrola com inegável poder dramático. Gerações de leitores renderam-se a esta obra brilhante. E hoje, passado mais de uma século, o livro conserva todo o seu interesse e continua a ser adaptado ao cinema, televisão e mesmo a desenhos animados, transformando esta numa verdadeira obra para todas as idades.

Comentário:
Escrito em 1844 e baseado em acontecimentos históricos do início do séc. VXII, Os Três Mosqueteiros é considerado um dos primeiros grandes sucessos ao nível do romance histórico. Publicada, como era costume na época, em folhetins, esta obra é um romance de capa e espada que encantou e encanta sucessivas gerações.
Esta é a magia da literatura a que alguns chamam de juvenil. Erradamente, na minha opinião, porque a grande literatura não escolhe idades; e os romances de aventuras também podem ser obras-primas.
Este é, na minha opinião, um livro portentoso. Só uma obra-prima deste quilate é capaz de proporcionar ao leitor tal evasão, tal fuga para os píncaros do sonho. É um livro que se lê devorando páginas e leitor nenhum se intimida ou se deixa vencer pelas mais de seiscentas páginas.
Mas que espécie de magia tem então este livro? Um livro genial é aquele que ultrapassa o seu género; um romance histórico que se limite ao género, ou seja, que não passe de um romance histórico, será uma obra banal. Um grande romance histórico, como este, é muito mais que isso e muito mais que um romance de aventuras; é uma inquietante reflexão sobre a natureza do poder político e sobras as fragilidades da alma humana; de como o poder e, consequentemente, a vida de todo um povo, dependem das vontades individuais, mas também dos caprichos e jogos de interesses, por vezes pérfidos. Mas, ao mesmo tempo, é um livro onde se traça uma enorme homenagem à honra, à coragem, aos valores humanos e à força da amizade. Não se pense, no entanto que os mosqueteiros são apresentados como homens perfeitos; nem o Cardeal Richelieu é retratado de forma tão pérfida como certas adaptações da obra nos levam a crer, nem os mosqueteiros são desprovidos de defeitos: Athos é dependente do álcool, Porthos é um brutamontes, D’Artagnan é um “pinga-amores”.
Mas este livro, como bom romance histórico que é, revela-nos também um cenário bem construído da França do início do século XVII, martirizada por absurdas guerras religiosas que haveriam de atravessar todo o século provocando milhares ou talvez milhões de mortos absolutamente inocentes. Por outro lado é também o testemunho das inacreditáveis diferenças sociais que colocavam a Igreja e a Nobreza acima de todos os comuns mortais, criando situações de injustiça que todos, pobres e ricos, aceitavam sem questionar.
Aliás nota-se em Alexandre Dumas um certo anti clericalismo, típico também daqueles tempos pós-revolucionários que se viviam em França. A religião é apenas um pretexto para que os seus líderes e os dirigentes políticos ponham em prática os seus planos de poder. Por exemplo, o cerco de La Rochelle, acontecimento central neste livro, é visto como um ato político e não religioso. Em causa estava mais a guerra e a rivalidade com Inglaterra do que a questão entre Huguenotes e católicos que, oficialmente, conduziu a uma verdadeira carnificina.
Em conclusão: não considero que haja livros de leitura obrigatória para quem gosta de ler. Mas se tal lista existisse, esta obra teria obrigatoriamente de lá constar.



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