domingo, 23 de setembro de 2012

Brasil - John Updike


Sinopse:
Tristão Raposo é um jovem negro de 19 anos que vive nas favelas do Rio de Janeiro. Isabel Leme é branca, tem 18 anos e é filha de um diplomata importante. Quando se vêm pela primeira vez, na praia de Copacabana, percebem que foram feitos um para o outro e fogem para poderem viver juntos. A fuga leva-os numa série de desventuras através das regiões mais remotas do país e do lado mais obscuro do Brasil. Relatando a trágica trajetória destes amantes, da paixão imprudente à prostituição, da falsa segurança à morte irónica e brutal, Updike descreve o Brasil das últimas três décadas mostrando um país que vive num caos económico e social com uma gigantesca disparidade entre ricos e pobres. Em cenários tão variados como o Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Dourados e Mato Grosso, é natural que a ação enverede por uma vertente de realismo mágico que só John Updike poderia tão bem utilizar.

Comentário:
Nunca tinha lido nada deste conceituado escritor, mas devo dizer que não me convenceu. É claro que este é considerado um dos livros menos famosos deste escritor; talvez a s suas obras primas sejam mais interessantes. Mas surpreendeu-me negativamente o imenso cliché em que cai a obra: uma abordagem do país como se este fosse um imenso exagero. Para Updike, o Brasil é o exagero. Qualquer situação humana, qualquer emoção, qualquer sentimento, se o exagerarmos, se o tornarmos quase inconcebível, então estamos no Brasil. Parece ser este o pensamento de Updike.
Talvez a minha leitura seja demasiado simplista, ma o que este livro me deixou foi um profundo desagrado perante a imagem que transporta do belíssimo país que deu título ao livro.
A própria história do casal Tristão e Isabel (referência à lenda europeia medieval de Tristão e Isolda) é um imenso cliché – o rapaz da favela, pobre e quase selvagem que se apaixona pela requintada burguesazinha, a menina ingénua que não mais o será depois de se apaixonar pelo malvado mas irresistível Tristão. Depois, juntos enfrentarão as situações mais inacreditáveis que se possa imaginar: desde assassinatos numa mina de ouro onde eles procuram fortuna até inimagináveis viagens pela floresta amazónica onde não faltam índios tirados da carta de Pero Vaz de Caminha e garimpeiros muito malvados, capazes de matar e esfolar qualquer incauto que se distraia ao longo do Amazonas.
Pode advogar-se que Updike demonstra uma fertilíssima imaginação. Isso é verdade; as situações criadas não inimagináveis por uma mente comum. Mas a imaginação desmedida facilmente conduz à inverosimilhança. É o que acontece neste livro. Tudo é exagerado. Tudo é demasiado incrível para que o nosso cérebro possa aceitar este enredo sem a inevitável sensação de impossibilidade.  

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