quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

O último moicano - J. Fenimore Cooper


Sinopse:
Uma narrativa que combina heroísmo e romance com uma crítica poderosa da destruição da Natureza e da tradição. No cenário do cerco francês e índio do Fort William Henry em 1757, relata a história de duas irmãs, Cora e Alice Munro, filhas do Comandante inglês, que lutam para poder voltar para junto do seu pai. Nesta perigosa jornada, são ajudas por Hawk-eye e os seus companheiros Chingachgook e Uncas, os dois únicos sobreviventes da tribo. Mas as suas vidas são postas em risco por Mangua, o selvagem traidor índio, que captura as irmãs, querendo que Cora se torne sua mulher.

Comentário:
Para o público menos familiarizado com a literatura do século XIX, este livro ficou célebre pelo magnífico filme de Michael Mann, de1992,com uma magnífica interpretação de Daniel Day-Lewis e com uma inesquecível banda sonora.
No entanto, como é normal, o livro conta-nos uma história bem mais rica e profunda. Na verdade, poucos serão os livros de aventuras que nos testemunhem de forma tão credível a verdadeira história dos índios norte-americanos, face à colonização inglesa e francesa no século XVVIII. O autor deste livro nasceu em 1789, o ano da revolução francesa e escreveu esta obra em 1826. O seu pai era, ele próprio, um colonizador, um pioneiro que fundou uma pequena cidade na zona do atual estado de Nova Iorque. Portanto, Fenimore Cooper conhecia como ninguém a realidade desse tremendo choque cultural que ocorreu em solo americano. No entanto, não se pense que estamos perante a simples versão do colonizador. Estamos muito longe ainda dos infelizes enredos de cow-boys do cinema do século XX, em que os Índios eram sempre os maus da fita. Pelo contrário, Fenimore Cooper dá-nos uma versão bastante humanista do referido choque e presenteia-nos com um enredo cheio de emoção mas também de dramas humanos, vividos na violência da colonização.
Aqui não há maus nem bons; ou melhor, há maus e bons mas eles não se distinguem pela cor da pele. Obviamente, é necessário compreender e aceitar como natural que nem sempre os índios tivessem respondido com paz à violência que lhe foi imposta.
O próprio índio malévolo, Magua, afirma na fase inicial do enredo que antes da chegada do colonizador, ele era feliz e pacífico. Depois, a presença dos europeus não se limitou a exercer a violência sobre os nativos; muito pior que isso, promoveu conflitos gravíssimos entre as diversas tribos, fazendo alianças com uns e inimizades com outros. Franceses e ingleses, em guerra, tinham aliados diferentes entre as tribos o que provocava mais atritos e guerras entre os peles vermelhas.
Mas não se pense que este livro se limita à história; ele é, também, um belo e agradável livro de aventuras, cheio de dramas e de intrigas, de mistérios e de amores fatais.

Em suma, um livro muito agradável a não perder por todos aqueles que apreciam a literatura desse século de ouro que foi o século dezanove.
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