sábado, 28 de março de 2015

A Casa das Vestais - Steven Saylor


Talvez satisfeito com o comentário positivo que fiz a Sangue Romano, o “Descobridor” (como chamam a Gordiano em Roma no séc. I a.C.) voltou às minhas leituras. E desta vez com um título que induz em erro. Na verdade A Casa das Vestais é apenas um dos nove contos que compõem este livro.
O certo é que cada um destes contos é um painel de um belo mosaico chamado Roma Antiga. A escrita visual de Saylor, que já elogiei no livro anterior, permite-nos “ver” uma Roma castiça, cheia de particularidades que nos espicaçam a imaginação e que quase nos fazem reviver aqueles tempos. Na verdade, cada um dos contos parece ter sido escolhido para descrever um quadro em particular: o teatro onde se desenrola um crime de assassínio (as máscaras que os atores usavam adensa o mistério); um crime provocado por um Testamento adulterado (facto corrente em Roma), um crime muito curioso escondido por detrás de uma crença peculiar dos Romanos: os Lémures, que seriam os espíritos dos parentes falecidos que vagueavam pela terra atormentando os vivos; um episódio rocambolesco em torno de um rapto de César por Piratas muito peculiares; o pretenso roubo de um tesouro em prata durante as festas Saturnais, que nos são descritas com imensa curiosidade; um crime cometido por abelhas (!), um conto que dá título ao livro, com um drama empolgante passado em pleno Templo de Vesta, onde viviam as suas seis sacerdotisas virgens e dois episódios que se passam no Egito; mas convém não esquecer que a ação decorre durante os enigmáticos tempos dos Ptolomeus, onde todos os mistérios eram possíveis.
De tudo isto resulta um painel multicolorido que diverte, entretém e, acima de tudo, nos ensina bastantes coisas sobre a época em que se situa. Mais uma vez, como no volume anterior, destaca-se o papel bastante “terra a terra” do investigador, um cidadão comum não mais dotado que os seus concidadãos (por vezes até é a sua mulher, a bela ex-escrava Betesda ou filho, Eco, quem desvendam os crimes).

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