segunda-feira, 30 de março de 2015

Mia Couto, voz da Terra


Mia Couto é poesia sem rima, é voz da Terra, sabor do Mar, alma de um povo inteiro.
Mia Couto é a força de uma Terra onde o sentimento resvala nas armas mas sobrevive e se fortalece na dor. É o mensageiro de uma Terra pintada de sangue mas perfumada pelo canto cristalino das sereias no Oceano Índico.
Mas Mia Couto é também o porta-voz da Alma, o cantor do gemido dolorido mas quase musical que emana do peito das gentes; a sua escrita é melodiosa, triste umas vezes, outras cheia daquele humor ingénuo das gentes de África.
E, acima de tudo, a voz de Mia é a voz do génio. Ele é, na minha opinião, o melhor escritor vivo de ficção de língua portuguesa. Ele é a prova viva de que os poetas têm razão: a nossa Pátria é a Língua portuguesa e muito mais é o que nos une do que aquilo que nos separa. Moçambique é da nossa Alma; muito sangue e muitas lágrimas nos uniram no passado e foi em português que sempre choramos as mesmas desgraças. Um fado que nenhuma união europeia ou aliança americana poderão contrariar.
Mia Couto pode não ganhar o Man Booker Prize. Mas para nós já ganhou.
Já ganhaste, irmão!

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