sábado, 5 de dezembro de 2009

A Cabana - WM. Paul Young

Uma criança raptada e brutalmente assassinada. Um pai destroçado. Uma família arrasada. À raiva junta-se a revolta perante a (in)justiça divina. Mack, o pai, abandona-se à depressão que o devora, possuído pela Grande Tristeza. Quatro anos mais tarde um bilhete na caixa de correio, assinado por Deus, convida Mack a regressar à cabana onde a filha tinha sido assassinada. Aí, desenrola-se o encontro com Deus, Jesus Cristo e o Espírito Santo.
Confrontado com Deus, Mack terá oportunidade de o confrontar com o destino cruel que este traçara para a sua filha.
No entanto, aquilo que Mack encontra é muito mais do que a oportunidade de desabafar; é a possibilidade de compreender todo o seu passado, presente e futuro. Ao fim e ao cabo, este livro conduz-nos à tentativa de compreensão de qualquer acontecimento, por mais trágico que seja, à luz de algo muito mais global do que o facto em si. A vida não tem passado, presente nem futuro; o tempo, tal como o encaramos, esconde uma realidade global que tudo explica. Dessa forma, mesmo as manifestações mais tenebrosas do mal, são enquadradas numa construção humana da qual Deus parece ter-se demitido; no entanto, as manifestações do mal não são mais do que o preço a pagar pela liberdade dos homens.
O sucesso desta obra parece demonstrar a debilidade espiritual de um mundo de onde se ausentaram muitos dos princípios éticos que o cristianismo, como muitas outras religiões, sempre advogaram. Curioso o facto de esta mensagem espiritual coincidir no essencial com as ideias de vários outros escritores que pouco ou nada têm a ver com o cristianismo: Weiss, Cury, Trevisan, Tolle, Sharma, etc.
Em suma, trata-se de uma obra capaz de despertar o sentido de humanismo e de transcendência que parece escassear neste mundo dominado pelo capitalismo frio e egoísta, pela falta de leveza de espírito que nos conduz a uma constante luta pelo poder. No entanto, chega-se ao final da obra com algum sentimento de decepção pelo carácter apologético, pela ausência de inovação e pela repetição de uma mensagem que, mesmo assim, nunca será fastidioso enfatizar.

8 comentários:

Paula disse...

É um livro de leitura agradável em que reforçamos algumas mensagens. Mas concordo contigo Manuel, chega-se ao final e damos conta que nada de novo acrescenta.
Um abraço

Teresa disse...

E recomendas? Não sei, parece que o teu resumo não me entusiasmou muito.
Bjs

Manuel Cardoso disse...

Teresa, eu detesto ser advogado do diabo e os editores que não me oiçam, mas o meu resumo não era mesmo para recomendar :)
Acho que a mensagem não traz nada de novo em relação a obras muito mais ricas de conteúdo como a Saga de um Pensador, ou O Poder do Agora ou ainda O Monge que vendeu o seu Ferrari. Essas sim, considero serem obras de referência em termos de literatura espiritual.
Quanto a este livro é como diz a Paula (olá!): serve de reforço, que nunca é demais...

Iceman disse...

Curioso o marketing que tentaram fazer deste livro e, desde o início, me ter parecido um livro com uma mensagem algo banal ou, se quisermos, igual a tantos outros.

A mim nunca me convenceu.

Ju Haghverdian disse...

Super interessante sua resenha. Li muitas resenhas sobre esse livro e a maioria dizia que não gostaram mas não explicava o porquê, agora eu sei!

Recebi A Cabana há poucos dias pelo correio (presente do meu pai!), está na lista... vamos ver quando conseguirei ler.

Tenho notado esse fato em vários livros de autores novos, nada original, nada inovador... será a nova tendência? Espero que não!

Ótimo domingo, abraços.

Manuel Cardoso disse...

Ju, se foi oferecido pelo pai, talvez seja bom que leias :)
De facto, neste tipo de literatura torna-se dificil inovar por uma razão muito simples: no início desta década e na década de 90 surgiram obras absolutamente fantásticas neste género. Ainda assim de vez em quando surgem coisas interessante de autores bem inovadores como Robin Sharma, Eckart Tolle ou Augusto Cury. E, num outro blog, vi algo que talvez te possa interessar:
http://viajarpelaleitura.blogspot.com/2009/12/picos-e-vales-spencer-johnson.html
Fica bem.

candida disse...

pelo k li o livro deve ser horrível.

Manuel Cardoso disse...

Não, Candida, não foi essa a ideia que pretendi transmitir.
É uma mensagem valiosa e de leitura agradável.
Simplesmente não traz nada de novo. Confesso aliás que há muitos anos não leio um livro horrível; nem me lembro do último que li. :)
Simplesmente, com esta mensagem, considero que há livros melhores.