sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Firmin - Sam Savage

Firmin, o rato, é o mais novo de uma ninhada de treze, filhos de uma ratazana bêbada. Fraco, por falta de teta disponível, é o renegado da vida.
Terminada a leitura, não posso deixar de admitir que, se fosse um rato como Firmin, teria devorado literalmente o livro depois de o ter “devorado” em poucas horas. Trata-se de uma fábula magnífica.
Este livro deveria ser lido atentamente por todos aqueles que não compreendem a paixão pelos livros.
Vítima de “biblobulimia”, Firmin alimenta-se de livros: ele , come e vive os livros. Vivendo numa livraria de bairro, ele observa as pessoas e vai aprendendo a viver com elas. A livraria (na primeira parte do livro) e a casa de Jerry (na segunda parte) são o seu refúgio – o mundo lá fora é horrível e decadente. Os livros e o sonho comandam a sua vida.
No entanto, Firmin, o devorador de livros, não consegue comunicar com os humanos, essa espécie incompreensível e egoísta. Jerry, o homem que queria consertar o mundo, escritor modesto e vagabundo no destino, é o único que o compreende; o seu único amigo. Jerry é pobre e desprezado. É feliz. Como o Falcão de “A Saga de um Pensador”, ele vive do outro lado do mundo; não acima nem abaixo; apenas numa linha paralela à vida dos “normais”; ele e Firmin; eles e os livros. No entanto, é nesse caminho paralelo que encontram a felicidade, bem perto da vida, não num mundo irreal ou afastado dos outros. Firmin como nós, os que amamos os livros, não vivemos noutro mundo; apenas do outro lado – aquele lado a que alguns chamam da loucura.
No entanto, Firmin, o rato, carrega consigo a solidão. Mas graças ao afecto (ou amizade, ou amor, tanto faz) por Jerry e pelos livros, essa solidão não deixou nunca de ser apenas uma palavra que apenas vagueou com ele pela vida.
Firmin teve a coragem suficiente para vencer o medo e procurar o sonho. Foi um rato renegado mas feliz.
Um livro fantástico; uma fábula inesquecível.
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