domingo, 1 de setembro de 2013

Contos do Caneco - Fernando Évora, João Pedro Duarte, José Teles Lacerda, Luís Miguel Ricardo e Vítor Encarnação

Apresentação:
Em Maio de 2013 o Clube dos Poetas Vivos reuniu, numa célebre tertúlia, cinco escritores cuja vida e obra estão, de algum modo, ligadas ao Alentejo. Os escolhidos foram Fernando Évora, João Pedro Duarte, José Teles Lacerda, Luís Miguel Ricardo e Vítor Encarnação. Foi um fim-de-semana de conversas com leitores, trocas de opiniões, passeios, petiscos e muito mais. Um fim-de-semana inspirador para que esses cinco autores viessem a escrever cinco contos cujo cenário são as terras de São Teotónio e Zambujeira do Mar. Cinco “Contos do Caneco”.



Comentário:
Em boa hora tomei conhecimento deste livrinho de contos, proveniente de um dos sítios mais encantadores de Portugal: a região do Mira. Recebi-o num dia e acabei de o ler 24 horas depois. Só isto diz bem da forma agradável como se lê.
Cinco escritores oferecem-nos outros tantos contos, todos eles com um denominador comum: as terras do Mira; do calor humano de Odemira ao azul mágico da Zambujeira, passando pelas festas coloridas de S. Teotónio e com um saltinho cheio de mistério ao assustadoramente belo Cabo Sardão.
Para mim, pessoalmente, foi um regresso a esse Alentejo tão belo, no seu cantinho sudoeste- Gente pura, gente de trabalho e amizades fortes, todos eles, os alentejanos, estão nestes contos, dando vida a paisagens encantas e searas escaldantes.
Nunca foi um adepto deste género literário, os contos. No entanto, aqui senti-me voltar à grande tradição do conto popular, ouvido com quase devoção na soleira da porta de uma casita branca e azul, ou nas eiras do Minho, em volta de um cesto de espigas de milho acabado de desfolhar. Reerguer este conto popular, parece ser o valor maior desta obra. O conto nascido da emoção, imaginação mas também do sofrimento do povo que somos nós e contado por sábios diplomados pela carta de rugas que trazem no rosto, 
O humor matreiro, bem patente em alguns destes contos é o veículo da sátira, por vezes ligada de forma genial à atualidade deste nosso reyno, assim como a ironia fina, a crítica social, por exemplo com essa figura magnífica que é o Chef Raton do conto “Paris Existe?” são armas de grande alcance nestes magníficos textos.
Talvez não o devesse fazer (porque são cinco contos magníficos) mas não resisto a destacar dois deles porque me agradaram sobremaneira. Refiro-me a Terno Tesouro, pelo espírito de intervenção social a fazer lembrar as cantigas do Vitorino: um patrão que é um símbolo da prepotência dos líderes da ditadura mas também de muitos “coirões” atuais e um operário que luta contra tudo e todos, incluindo a sua própria loucura. E destaco também Paris Existe? Talvez o conto mais elaborado deste livro, com um tom de crítica social divertida e atual, um sentido de humor a que o autor já nos habituou e, acima de tudo, por uma mensagenzinha que me ficou na mente: talvez o destino de qualquer homem seja procurar a sua Paris e talvez ela só se encontre bem junto das suas raízes…
Apresentação e foto de http://www.riomira.com


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