segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

2001 - Odisseia no Espaço - Arthur C. Clarke

Comentário:
Nunca fui especial adepto ou fã da literatura de ficção científica. Mas comecei a mudar de ideias depois de ler os Mestres Ray Bradbury, nesse portentoso Fahrenheit 451 e H. G. Wells no magnífico A Guerra dos Mundos. E depois de ler estes gigantes cheguei à conclusão que tinha de completar a tríade com Arthur C.  Clarke. Tendo lido apenas um ou dois livros de cada um destes autores fico com a sensação de estar perante três génios com características bem diferentes: Bradbury mais poético, mais literário,Wells mais dramático e Clarke mais científico e mais premonitório.
Uma das razões pela qual nunca nutri grande simpatia por este género é o facto de muitos destes escritores se preocuparem demasiado em tentar adivinhar o futuro, sem o conseguir. No entanto, estes três autores mostram-nos que esse não deve ser o objetivo fundamental da ficção científica e essa mensagem é especialmente nítida em 2001 - Odisseia no Espaço.
Efetivamente, neste livro, publicado pela primeira vez em 1968 (um ano antes da chegada à Lua) Athur C. Clarke deixa em segundo plano tal objetivo, subjugando-o a um outro, bem mais significativo. Afirma o autor, no epílogo desta edição, escrito em 1982 que os autores de ficção científica tentam mais "precaver" o futuro do que prevê-lo. 
Então do que é que Clarke nos tenta precaver neste livro? Essencialmente, o que está no centro do enredo é a ameaça da inteligência artificial. Hal,o super computador que controla a nave espacial Discovery torna-se, num dado momento, um tirano capaz de subjugar a própria inteligência humana; este é o anuncio de uma época futura mas também um alerta para os caminhos perigosos que a inteligência artificial pode seguir.
Uma outra mensagem essencial neste livro, transmitida de uma forma profundamente poética é a sensação de solidão do homem perante a imensidão do universo; é a constatação da pequenez do ser humano num espaço e num tempo incomensuráveis para nós.
Esta dimensão humana da obra é especialmente nítida no belíssimo prólogo do livro, que abre com estas portentosas frases:
"Cada homem vivo transporta o peso de trinta fantasmas, pois é nesta proporção que o número de mortos excede o dos vivos. Desde o início dos tempos, cerca de cem biliões de seres humanos caminharam sobre o planeta Terra.
Ora, este é um número interessante, pois, por coincidência, há  aproximadamente cem biliões de estrelas no nosso universo, a Via Láctea. Portanto, por cada homem que alguma vez viveu, brilha uma estrela neste Universo."
Belíssima mensagem...

Sinopse
A Discovery movimenta-se no Espaço a 150 000 kms/h. É o primeiro ano do século XXI. A sua missão deve-se à descoberta de um estranho monólito encontrado na cratera Clavius, na Lua. Trata-se de um cartão de visita deliberadamente enterrado há milhões de anos, por uma inteligência extraterrestre. É preciso encontrá-la. Seja onde for. Seja quem for. O romance dramático de um dos filmes mais espectaculares jamais produzido.
sinopse in www.wook.pt

5 comentários:

Sérgio disse...

Olá Manuel,

gostei do artigo mas permite-me apontar que provavelmente querias dizer literatura FC em vez de policial no início do texto.

O Clarke, do pouco que li dele, pareceu-me ser alguém muito criativo, mas mais preocupado com o funcionamento das coisas, em vez de questionamentos mais profundos (em vez de perguntar o como, perguntar o porquê...). Parece-me alguém mais com mentalidade de engenheiro/cientista do que outra coisa. O que pode ser interessante mas é algo limitativo na minha opinião.

Tenho mais livros dele para ler, incluindo o 2001 (grande filme já agora!) por isso terei que ver se essa minha opinião se confirma. :)

Manuel Cardoso disse...

Obrigado,Sérgio; foi lapso que vou já corrigir.
Tens toda a razão; é mais cientista que ficcionista. Wells e, principalmente Bradbury são mais criativos e reflexivos.
Mas escreve bem! Tem passagens bastante poéticas,como aquela que citei.
Um abraço, Sérgio.

Carlos Faria disse...

Nunca li nada de A C Clarke, mas por norma olho para a boa literatura de ficção científica e os bons romances distópicos como formas artísticas de nos alertarem para problemas concretos.
Neste caso contrário como vi o filme de Kubrik estou plenamente ciente que o escritor atendo a isso.

Manuel Cardoso disse...

Sim, Carlos, o livro foi escrito a pensar no filme do Kubrik e penso que mesmo em colaboração com ele

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Não li o livro, mas vi o filme assim que ele saiu e foi uma surpresa muito positiva pois na altura o filme estava demasiado avançado em termos de efeitos especiais para a época.