domingo, 18 de janeiro de 2015

Impressões: Manual de como salvar o Mundo


Há muito tempo que o mundo não assistia a tão dramáticos e sangrentos conflitos relacionados com religião. 
Os chocantes acontecimentos terroristas em França; a catástrofe que se vai desenrolando na Nigéria; a tragédia continuada que se desenrola na Palestina; a desumanidade do Estado Islâmico, levam-me apensar que o nosso mundo está pejado de insanidade. 
As religiões, por definição, defendem o Bem, a paz e a harmonia. No entanto, nunca se matou tanta gente por outro motivo, como se mata pela religião. Desde a Idade Média que assistimos a este drama: muitos seres humanos já não se limitam, a dizer: “o meu Deus é melhor que o teu” e passaram a dizer: temos de exterminar a tua religião.
Quantos milhões morreram nas Cruzadas? Quantos milhões foram mortos ou torturados pela Inquisição? E quantos milhões estão hoje a ser vítimas do radicalismo islâmico?
Perante isto, o meu apreço pelas religiões praticamente reduz-se ao Budismo: a única grande religião que defende e pratica a tolerância.

E se a religião já não pode salvar o mundo, a pergunta que se coloca é: quem o poderá fazer?
E a minha resposta é: A ARTE!
A arte é a beleza; é o lado belo da humanidade.
E a literatura é arte por excelência.
Quantos escritores se notabilizaram por defender ideias totalitárias e violentas? Assim de memória, lembro-me de Celine numa determinada fase; talvez mais dois ou três estalinistas… tristes exceções que só confirmam a regra!
Mas a esmagadora maioria dos artistas são humanistas, defensores da vida humana, da paz e da harmonia entre os povos!
É por isso que, cada vez mais, ler é o melhor remédio!

Ilustração de Jarbas in blogs.diariodepernambuco.com.br

6 comentários:

Denise disse...

Gostei muito das tuas observações, Manuel.
E sim, que belo remédio esse que ainda nos resta!

Fernando Évora disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Fernando Évora disse...

Deixa-me dar uma achega, procurar uma explicação para esse humanismo dos escritores. É que ao escrever (falo de ficção) o escritor precisa de se pôr no lugar do outro.

Manuel Cardoso disse...

que o que falta à esmagadora maioria dos seres humanos,Fernando :)
Quando falo destes assuntos vem-me sempre à memória os grandes realistas russos de final do séc. XIX, a partir da última fase de Tolstoi. Lembro-me muitas vezes desse grande romance que é A Mãe, do Gorki. Gorki foi o primeiro comunista antes do comunismo. Depois vieram os comunistas (políticos) e lixaram tudo ao levar o socialismo puro para o totalitarismo... ou de como os homens também destroem a arte e o humanismo...

Manuel Cardoso disse...

*que é... (linha 1)

Fernando Évora disse...

Pois lá terei de ler o Gorki, que é autor que tenho vindo a adiar. Fica prometido para breve! Concordo contigo: essa transformação do socialismo em totalitarismo abriu caminho (por anular as alternativas) a esta fase do capitalismo, profundamente desumana.