A Rocha Branca é um livro encantador.
Conta-se a história de Safo de Mitilene, uma mítica poetisa
que terá vivido na alvorada da civilização grega, que assistirá ao nascimento
da civilização europeia. Safo viveu no século VII a.C. em Mitilene, cidade da famosa ilha de Lesbos, em frente à Ásia Menor.
Ao contrário do que se passa nos nossos dias, alguns séculos
antes de Cristo, a Grécia era o coração cultural da Europa. Nas ilhas gregas
vivia-se um próspero florescimento comercial, baseado nas mercadorias que
celebrizaram toda aquela zona do mediterrâneo oriental: os tecidos, perfumes,
metais preciosos, vasos de cerâmica, etc.
Foi nesse contexto de abundância que viveu Safo. Escreveu e
viveu intensamente.
Na Idade Média, muitos dos poemas de Safo acabaram por
desaparecer, destruídos por serem considerados obscenos. Esta obra preciosa de
Fernando Campos vem, pois, devolver-nos a imagem da verdadeira Safo. Uma imagem
heróica e belíssima.
Personagem encantada, Safo tornou-se um mito. E a essência de
um mito encontra-se a meio de uma encruzilhada entre o verdadeiro e o falso, o
sagrado e o profano; mais do que uma poesia, a história fez de Safo uma espécie
de heroína da mitologia grega.
A sua história encanta-nos, no entanto, pela humanidade;
pela forma como viveu uma intensa e pura história de amor. A escrita de
Fernando Campos encanta-nos pela beleza com que nos expõe todo o bucolismo da
antiguidade clássica. Safo viveu entre a natureza, em comunhão com ela e o seu
amor não foi mais de que uma expressão da natureza. Daí também a naturalidade
com que se aborda o erotismo, o amor físico.
Ao longo do livro encontramos também interessantes pontos de
contacto com a história antiga da democracia ateniense, mais exactamente as
reformas de Sólon, assim como belas passagens da vida de Esopo que terá sido,
provavelmente, o primeiro escritor de ficção que a humanidade conheceu.
Em conclusão: estamos perante um livro fantástico na melhor
acepção do termo. É uma leitura que não desperta qualquer espécie de mistério ou suspense mas que
nos deleita numa leitura suave. E é dessa suavidade que advém toda a sua
beleza.
6 comentários:
Mais um para a lista.
So much to read, so little time!
Li vários livros de Fernando Campos há uns 10 anos, depois, nem sei porquê, nunca mais lhe peguei e até gostei bastante dos que li.
Deixaste-me muito tentada, Manuel. Não li nada ainda deste autor. E a capa é lindíssima. Aliás gosto imenso desta editora.
Teresa, este livro tem muito a ver com aquilo que gostamos de contar aos nossos alunos do sétimo ano :) Acho que vais gostar.
Iceman, eu nem A Casa do Pó li. Mas hei-de ler.
Sim, tonsdeazul, a capa é bonita e o conteúdo, acho que está de acordo com os teus gostos.
Bom, com tanto livro para ler, este vai ter de aguardar melhor oportunidade... Mas obrigada pela dica! :)
A priori, parabéns pelo blog!
Admiro muito a Literatura, pois ler talvez seja dos hábitos o mais saudável.É viajar por mundos e lugares, conhecer culturas e sociedades sem sequer sairmos do cômodo sofá.
Também sou redator de um blog intitulado "Diálogo Livre" (http://www.livredialogo.blogspot.com/). Visite se possível e deixe um comentário. Críticas e sugestões são bem-vindas.
Saudações.
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