sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

As pérolas maiores de 2011

2011 foi um ano de grandes lançamentos. Livros extraordinários, alguns deles reedições, outros lançamentos em primeira mão em Portugal.
De todos eles e, evidentemente, de entre os que li, destaco quatro obras que considero, a todos os títulos, GENIAIS:

Os Mistérios de Jerusalém - Marek Halter:




por uma vez os sonhos uniram-se em Jerusalém na defesa de uma memória que, afinal de contas, une aqueles que a história separou. Jerusalém, a árvore de onde brotaram tantos ramos encerra um sonho único, fundado sobre memórias intemporais.
Brilhante!





A Questão Finkler - Howard Jacobson:



Treslove é uma espécie de retrato invertido de Finkler: ele é o gentio que quer ser judeu, que é atraído por uma certa melancolia própria da alma judaica e Finker é o judeu envergonhado, que procura no sucesso individual um certo triunfo sobre a realidade histórica em que está envolvido.
Ambos lutam contra a sua própria identidade.
Quando, finalmente, Treslove se torna judeu, encontra a angústia e a desgraça…
Enfim, um livro magnífico, talvez um dos melhores romances do século XXI. Surpreendente, divertido, magnífico.
A arte de brincar com coisas sérias.


O Cemitério de Praga - Umberto Eco:


Simonini é perverso, perigoso, traiçoeiro. Mas é também um pouco estúpido. Esta é a grande lição da obra: um homem pouco inteligente mas tremendamente perverso e impiedoso pode pôr em risco toda uma nação.
Trata-se portanto de um livro cheio de emoção onde é possível “ver” nas suas páginas grande parte da realidade política de uma Europa muito conturbada, nos finais do século, anunciando já a Primeira Guerra Mundial que marcaria o início do século XX. Nascia a Itália, mas aprofundavam-se as guerras de bastidores entre austríacos, franceses russos e ingleses.





Um dia, Fiodor Dostoievski afirmou que só a beleza pode salvar o mundo. Assim descontextualizada, esta frase torna-se vaga. Mas Abelhinha faz-nos compreender Wilde quando afirma: “ninguém gosta de ninguém mas todos gostam dos U2”. A música, a arte, a beleza, são raios de sol neste mundo a que chamam global mas onde as atrocidades persistem.
E o final do livro é outro raio de sol. A maldade persiste; a infelicidade não desaparece mas há as crianças; e com elas a esperança e a beleza nunca morrerão.
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