quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

A Rocha Branca - Fernando Campos


A Rocha Branca é um livro encantador.
Conta-se a história de Safo de Mitilene, uma mítica poetisa que terá vivido na alvorada da civilização grega, que assistirá ao nascimento da civilização europeia. Safo viveu no século VII a.C. em Mitilene, cidade da famosa ilha de Lesbos, em frente à Ásia Menor.
Ao contrário do que se passa nos nossos dias, alguns séculos antes de Cristo, a Grécia era o coração cultural da Europa. Nas ilhas gregas vivia-se um próspero florescimento comercial, baseado nas mercadorias que celebrizaram toda aquela zona do mediterrâneo oriental: os tecidos, perfumes, metais preciosos, vasos de cerâmica, etc.
Foi nesse contexto de abundância que viveu Safo. Escreveu e viveu intensamente.
Na Idade Média, muitos dos poemas de Safo acabaram por desaparecer, destruídos por serem considerados obscenos. Esta obra preciosa de Fernando Campos vem, pois, devolver-nos a imagem da verdadeira Safo. Uma imagem heróica e belíssima.
Personagem encantada, Safo tornou-se um mito. E a essência de um mito encontra-se a meio de uma encruzilhada entre o verdadeiro e o falso, o sagrado e o profano; mais do que uma poesia, a história fez de Safo uma espécie de heroína da mitologia grega.
A sua história encanta-nos, no entanto, pela humanidade; pela forma como viveu uma intensa e pura história de amor. A escrita de Fernando Campos encanta-nos pela beleza com que nos expõe todo o bucolismo da antiguidade clássica. Safo viveu entre a natureza, em comunhão com ela e o seu amor não foi mais de que uma expressão da natureza. Daí também a naturalidade com que se aborda o erotismo, o amor físico.
Ao longo do livro encontramos também interessantes pontos de contacto com a história antiga da democracia ateniense, mais exactamente as reformas de Sólon, assim como belas passagens da vida de Esopo que terá sido, provavelmente, o primeiro escritor de ficção que a humanidade conheceu.
Em conclusão: estamos perante um livro fantástico na melhor acepção do termo. É uma leitura que não desperta qualquer espécie de mistério ou suspense mas que nos deleita numa leitura suave. E é dessa suavidade que advém toda a sua beleza.

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