quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

A Irmandade do Santo Sudário - Julia Navarro


Sinopse
Obras sobre Templários e segredos religiosos têm-se transformado em best-sellers nos últimos meses, sendo o caso mais evidente o sucesso estrondoso de «O Código da Vinci». «A Irmandade do Santo Sudário», da jornalista espanhola Júlia Navarro, vem confirmar essa apetência do público.
A acção do livro decorre em Turim, quando um incêndio assola a catedral da cidade italiana onde se venera esta controversa relíquia.
Este incêndio e a morte de um homem a quem tinham cortado a língua são o detonador de uma empolgante investigação policial do «Departamento de Arte» dirigido pelo detective Marco Valoni e pela perspicaz e atraente historiadora Sofia Galloni.
Alternando capítulos no presente com capítulos de um teor mais histórico (Império Bizantino, a França de Filipe o Belo, Portugal, Espanha, entre outros.), Julia Navarro constrói uma trama que vai dos Templários aos nossos dias.
Os protagonistas são homens de negócios cultos e refinados, cardeais e outras importantes figuras da Igreja, ou seja, uma elite cujo único elemento comum é serem solteiros, ricos e muito, muito poderosos.
(in Wook.pt)
Comentário:
Já por várias vezes deixei aqui o meu apreço pela literatura espanhola. Escritores como Zafón, Perez-Reverte, Mendoza, Vila-Matas, etc. têm o condão de agarrar o leitor, os primeiros com uma escrita mais objetiva em narrativas lineares, os segundos com enredos mais reflexivos.
Esta escritora, Júlia Navarro, pertence ao grupo dos primeiros: com um estilo objetivo, quase jornalístico, ela vai-nos contando uma história fascinante, mau grado os clichés que constituem o tema do romance: as intrigas em torno do Santo Sudário e a história misteriosa dos Cavaleiros Templários.
O romance é construído em dois tempos: numa perspetiva diacrónica, vai sendo exposto o percurso do sudário, desde a sua origem na morte de Jesus Cristo, até ao seu destino misterioso. Por outro lado, numa abordagem de tipo policial, vai-se contando a história da investigação de misteriosos incêndios na catedral de Turim que levam os investigadores e especialistas a tentar desmontar as intrigas que se tecem em torno do misterioso linho.
Paulatinamente, o leitor vai-se apercebendo de como determinados interesses pessoais e de grupos podem tornar-se perigosos e assumir contornos verdadeiramente assustadores. Na verdade, a ambição humana pode atingir limites incalculáveis, de permeio com convicções religiosas assustadoramente radicais.
É curioso como dois temas tão explorados pela literatura, o sudário e os Templários, ainda são terreno fértil para bons livros como este.
É certo que a história é, por vezes, demasiado linear e demasiado presa a certos lugares comuns; mas também não deixa de ser verdade que é graças a livros como este que a literatura de ficção cumpre os seus mais nobres objetivos: a promoção da leitura na sua componente lúdica e a divulgação do saber. Sim, porque pelo meio da ficção, este livro não deixa de nos enriquecer em termos de conhecimento histórico.

Enfim, no bom estilo de “nustros hermanos”, estamos perante um livro divertido, agradável e, acima de tudo, cheio de conteúdo.
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