terça-feira, 25 de março de 2014

O centenário que fugiu pela janela e desapareceu - Jonas Jonasson

Sinopse:
No dia em que Allan Karlsson celebra 100 anos, toda a cidade o aguarda para uma grande festa em sua honra.
Mas Allan tem outros planos... Morrer de velho? Sim, mas não ali!
Munido de um par de chinelos gastos, joelhos empenados e uma ousadia tremenda, Allan lança-se numa extraordinária aventura, arrastado numa torrente de equívocos e golpes de sorte.
E ao mesmo tempo que acompanhamos a sua última viagem (ou será que não?), conhecemos o seu passado, perdido entre guerras, explosões e mulheres fatais - qual delas a mais perigosa!
Uma estreia literária impressionante que conquistou centenas de milhares de fãs.

Comentário:
Tão só, a maior surpresa dos últimos tempos. Uma estória hilariante, de uma criatividade notável.
A Porto Editora está de parabéns. Nos últimos tempos tem-nos revelado autores de enorme qualidade. Este é um deles.
 A linguagem, simples, direta e objetiva mostra bem a formação do autor como jornalista, uma escrita muito visual, sem adjetivações ou descrições desnecessárias.
O enredo envolve uma imaginação extraordinária. O aspeto que mais me impressionou neste livro foi a verdadeira lição que o autor nos dá de como tornar credível uma história completamente inacreditável. Há peripécias que, à luz da inteligência, são praticamente impossíveis mas que, no contexto que o autor constrói se tornam quase lógicas. Assim, o leitor vai aceitando com a maior das naturalidades todas aquelas peripécias, como um bandido a ser abatido pelo traseiro de um elefante.
O lado mais sério do livro é a forma como o autor, com toda a leveza, nos ir apontando e ilustrando toda a sorte de anormalidades que o ser humano alimenta; estão aqui todos os vícipos e defeitos da humanidade: o racismo, a violência, a ambição desmedida, a corrupção, todo o tipo de preconceitos e de atividades criminosas que forma povoando a história da humanidade ao longo do século XX. E o nosso herói passa por todos esses episódios de malvadez, sempre com a mesma capacidade de nos fazer rir à gargalhada.
Não é um livro capaz de se tornar um clássico; não tem, nem podia ter a dimensão de uma grande obra literária; não é um livro escrito para nos fazer refletir profundamente; mas é um livro como poucos para cumprir essa missão que todos os livros de ficção deviam ter: a capacidade de nos fazer rir e de nos tornar um pouco mais felizes.
Uma das opiniões mais interessantes e verdadeiras que li sobre este livro foi-nos dada pela N. Martins, do Blogue Quero Um Livro:
Este livro é absurdo da primeira à última página! A história é absurda, Allan Karlsson, o centenário que no dia do seu centésimo aniversário decide que não quer morrer no lar de terceira idade, é absurdo e, por fim, todo o livro é absurdamente bom e divertido!”

É isso mesmo: é absurdo mas verdadeiro; é absurdo mas credível; é absurdo mas tremendamente divertido.
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