domingo, 31 de agosto de 2014

Chama Devoradora - John Steinbeck


Comentário:
Ao contrário do que se passa nas obras mais conhecidas de Steinbeck, em "Chama Devoradora" o acento tónico não está nas relações do ser humano com o meio, quer físico quer social, mas sim nas terríveis lutas interiores que configuram os grandes dramas da existência humana. As "chamas devoradoras" a que o autor se refere são essencialmente chamas da alma, emoções profundas e conflitos interiores.
Livro muito simbólico, talvez não seja o que mais agrada aos admiradores da escrita emocionante de Steinbeck, cheia de ritmo narrativo e incerteza nos desfechos. É talvez a sua obra mais estranha. O próprio autor reconhece ter tentado fazer algo que nunca ninguém tinha feito: um romance-peça de teatro, tentando evitar a exaustão do romance e a dificuldade de leitura de uma peça de teatro.
A estrutura do livro é, por si só, um grande motivo de interesse: o mesmo tema repete-se, em três situações diferentes, correspondentes a três actos: uma jovem mulher grávida, o seu marido, o amigo do marido e o amante da jovem grávida. As três situações desenvolvem-se como se fossem três círculos concêntricos, cada vez mais concisos, até que o último se resume ao desfecho do drama. Nos 3 atos os personagens são os mesmos e o tema é o mesmo (a gravidez da mulher, perante o conflito entre o marido e o amante, mediado pelo amigo). Apenas diferem as profissões e o contexto em que se desenrola o conflito dramático entre as personagens.
O final do livro é belíssimo.
Toda a intensa poesia de Steinbeck numa fala,de um homem que acaba de descobrir a incapacidade de ser pai:
"Acabou-se! A minha geração, o meu sangue, toda a sucessão das idades está morta e eu é só esperar mais uns tempos e morrer também!" - página 100/101
NO ENTANTO:
"Tive de mergulhar nas trevas para saber que todo o homem é pai de todas as crianças e que todas as crianças devem ter por pai todos os homens" - página 112

Sinopse:
"O tema de Chama Devoradora é chocante e até sensacional. Nas mãos de um escritor menor, poderia tornar-se licencioso, mórbido e obsceno. Mas John Steinbeck, que é um dos maiores escritores da América, trabalhou-o com coragem, audácia, lucidez e compaixão. Esta é, afinal, a história do impulso fundamental, a ânsia de procriar, a necessidade premente de continuar a espécie, conduzindo-a à imortalidade… As personagens de Steinbeck encontram-se a braços com uma dolorosa situação humana, em que intervêm as mais importantes emoções do homem, tais como o amor, o orgulho, o egoísmo, a lealdade e a abnegação." Do New York Times
in www.wook.pt
Enviar um comentário