quinta-feira, 29 de julho de 2010

A Trança de Inês - Rosa Lobato de Faria

A criatividade e a imaginação de Rosa Lobato de Faria parecem não ter limites. Este é um livro lindíssimo. Pedro é um empresário de sucesso que se perde de amores por Inês. Mas este amor está condenado à tragédia. O seu destino será o da loucura, como diria o comum dos mortais. Ele, o louco, é Pedro Rey no século XXII mas também Pedro o Cru no século XIV. Três tempos, três mundos, três destinos, um único amor. Universal. Sem tempo nem medida.
Com assinalável rigor histórico, Rosa L. Faria conta-nos a sempre apaixonante e trágica história de Pedro (Príncipe e depois Rei de Portugal) e Inês de Castro. Transpõe a história para a actualidade e também para o futuro para nos relembrar que o amor e o ódio são intemporais.
Por isso, este é um livro que nos pode fazer sonhar mas também chorar; é um testemunho das emoções mais extremas que um ser humano pode viver; é um testemunho também da maldade, da insensibilidade que assola alguns seres humanos, sempre prontos a defender a mais hipócritas concepções de moral e normalidade, fazendo do amor uma manifestação de loucura.
Se Dostoievski teorizou como ninguém o conceito literário de “loucura normal”, Rosa Lobato de Faria transporta-o para a realidade. Ao ler este livro somos forçados a ver e viver a tragédia. A sentir as emoções à flor da pele. A sofrer com Pedro, a chorar as suas lágrimas.
É um livro enternecedor. O estilo simples e objectivo é um dos grandes trunfos desta escritora; não há descrições inúteis nem reflexões supérfluas e maçadoras com que alguns escritores de sucesso gostam de adornar a prosa. Uma escrita arejada, desempoeirada, simples e bela como a vida.
Talvez por ter sido guionista para séries de televisão; talvez por ter começado bastante tarde a escrever romances; talvez por falta de divulgação, o certo é que Rosa Lobato de Faria ainda não tem a consagração pública que a sua obra merece. Os seus livros são curtos, incisivos, directos, mas tremendamente criativos. Penso que ela merece um lugar de destaque entre os melhores escritores portugueses de sempre. E é uma pena que as nossas televisões só se recordem dela como actriz de séries e telenovelas de qualidade muito duvidosa.
Imagem retirada daqui.

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