segunda-feira, 16 de agosto de 2010

As Cidades Invisíveis - Italo Calvino

Mais de cinquenta cidades, imaginadas em tempos indefinidos, num espaço ilusório algures no oriente, preenchem uma viagem onírica que só a mente criativa de um génio podiam fazer nascer.
Kublai Khan, neto do grande Gengis Khan, governava um dos maiores Impérios de todos os tempos: o império Mongol, que se estendia do Irão ao extremo oriental da China, desde a Índia até à Rússia. Mesmo assim, Kublai Khan precisava de Marco Polo para o deliciar com maravilhosas descrições de outras cidades, outros povos, outros sonhos. É do diálogo entre os dois que se compõe este livro, uma obra completamente diferente de tudo quanto se escreveu até hoje.
As cidades descritas por Calvino na voz de Marco Polo são metafóricas, simples pretextos para falar e reflectir sobre a humanidade, sobre sentimentos, sensações e sonhos.
Todas as cidades têm nomes de mulher, para que fique claro que tanto se pode falar delas como de almas e corpos. As descrições partem, obviamente, do famoso livro de Marco Polo, “O Livro das Maravilhas” mas ultrapassam em muito as fantásticas descrições do genovês.
A linguagem de Calvino é profundamente poética, embora sucinta e clara. O seu estilo envolve um toque de surrealismo que lhe dá um tom admirável do fantástico.
A figura de Kublai Khan neste livro é profundamente simbólica: ele representa os limites do poder e do conhecimento; por mais territórios que domine, Khan nunca dominará tudo; por mais terras e gentes que conheça, nunca saberá tudo. Por outro lado, Marco Polo, que parece ter visto tudo o que havia para ver, precisa do sonho e da imaginação para descrever as cidades e as gentes. Porque as cidades não são apenas os pontos do mapa. São pessoas. São vidas que sentem, amam e odeiam, vivem e morrem. No entanto, as cidades imortalizam as pessoas que nelas vivem ou, pelo menos, as suas almas e os seus sonhos.
Ler Calvino é passear nas letras; nele não há uma história contada; há múltiplas histórias que se cruzam no único lugar onde tudo faz sentido: a imaginação de quem lê.
(excelente apresentação gráfica desta edição da Teorema, com a reprodução do famoso quadro de Bruegel, A Torre de Babel).
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