sábado, 4 de dezembro de 2010

Hoje Não - José Luís Peixoto

Todos os livros de José Luís Peixoto são diferentes. Dos outros e uns dos outros. Neste há smiles risonhos :), uma jovem freak que herda um avião comercial, gente a quem caem os dentes todos de uma vez e por mais de uma vez, um escritor falado na primeira pessoa que confessa escrever em nome de outro (sem que esse outro sequer os leia), smiles tristonhos :(, uma mulher peluda que destroça corações, uma mancha de iogurte nas calças de alguém que por causa disso arruína a sua vida, uma poetisa do Quirquistão e muito mais coisas inauditas que acontecem na vida de qualquer pessoa normal.
O livro é composto por seis contos. O primeiro deles é um verdadeiro hino ao sonho. Uma jovem herda um avião comercial e funda a Legalize Airlines. Só fará um voo. Não terá um único cliente. Não ganhará um tostão. Mas o sonho, esse, realizou-o.
O conto “:) e :(“ é uma história de amor. Uma história desgraçada. Catastrófica mas que, nem assim, destrói a esperança. Não há desgraça que sempre dure e talvez até haja desgraças maiores do que estar apaixonado. Talvez pior que o amor seja a queda de todos os dentes, como acontece com o herói do conto “Biografia sem dentes”.
Versatilidade. É a palavra chave deste livro de Peixoto, um escritor capaz de nos surpreender em cada parágrafo. Um livro pequenino, que se lê de um fôlego e sempre com um sorriso. Quem ler Cemitério de Pianos, Morreste-me e Uma Casa na Escuridão será incapaz de imaginar que Peixoto tem um sentido de humor como o que expõe aqui, brincando com o leitor, como no conto “Fantasma Escritor” em que um jovem escritor, descrito como se do próprio Peixoto se tratasse, se revela apenas um impostor que publica livros escritos por um respeitável e anónimo ancião.
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