quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

O Templo da Glória Literária - Miguel Almeida

Partindo de mim para além, de lá para a mim retornar sempre.

É assim a poesia, uma viagem do interior para além de limites imagináveis.
Porque nada é póstumo, os Imortais vivem e escrevem neste livro de M. Almeida, transportados pela voz da sua caneta.
No entanto, não são os poetas Imortais que falam pela voz de M. Almeida; é M. Almeida que se faz ouvir (por vezes gritando outras gemendo ou ainda sussurrando) na escrita do poeta de hoje.
É a voz viva do poeta vivo, vivo como os Imortais que se ouvem também eles. Homero em uníssono com Sophia, Solon de mãos dadas com Cesariny.
Vivos, todos vivos.
Mortos são alguns que vivem e não cantam nestas trovas.
E é com os Imortais que M. Almeida vive porque se faz ouvir neste livro.
Ler este livro é expor corpo e alma ao contágio. Sim, a poesia é contagiosa: dos Imortais para M. Almeida; de M. Almeida para quem lê.
É um contágio que liberta porque poesia é liberdade.
A poesia é a “dor do deus” (pg. 84)…

Este é o primeiro livro de poesia que coloco neste blogue. Se exceptuarmos alguns poemas de Fernando Pessoa, posso dizer que não gosto de poesia. Nunca gostei. Mas adorei este livro, que é um livro de poesia. Porquê? Não sei… talvez porque a poesia de M. Almeida me tenha dado este prazer imenso de viajar pelos Imortais mas também pelas palavras e pelos sons.
Sim, os sons; as letras de M. Almeida soam por vezes como música. Como disse Fernando Pessoa, citado neste livro: “a poesia é uma música que se faz com ideias e por isso com palavras”.
De resto, fica a liberdade.
Almeida escreve como quem voa.
As palavras viajam e as nossas ideias sobrevoam a alma de quem escreve.
Passeiam pela sabedoria da Grécia antiga, num tributo (que nunca pagaremos totalmente) aos clássicos.
Uma sabedoria que em excesso já não é sabedoria; é talvez prazer ou poesia.
Com os Imortais vivemos ao longo das páginas.
Com exaustão; a vida “esmurrando o amor” (pg. 51).
O amor… o delírio dos poetas… mas muito acima disso há a vida!
E a poesia de M. Almeida é, acima de tudo, uma poesia viva.
Livre.

(Também publicado no blogue Destante)
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