quarta-feira, 11 de julho de 2012

O Agente Secreto - Graham Greene



Sinopse:
D., um ex-professor de Literatura Medieval, foi enviado a Inglaterra com a incumbência de adquirir carvão... a qualquer preço. Falhar significaria a derrota... a derrota para um governo continental com uma guerra civil entre as mãos. Escrito em cerca de seis semanas durante o ano de 1938, O Agente Secreto é uma brilhante antevisão dos dramas que iriam assolar a Europa e o mundo nos anos subsequentes.

Comentário:
Um dos maiores motivos do tremendo sucesso dos livros de Greene é o seu caráter premonitório e a atualidade dos temas que desenvolveu nos seus livros. Neste caso, O Agente secreto, é um livro escrito pouco antes do eclodir da segunda guerra mundial e nele Greene descreve um conflito armado na europa que viria a ser determinado, em grande parte pela posse e desenvolvimento das fontes de energia. Todos sabemos como a energia nuclear contribuiu para a afirmação das grandes potências mundiais que venceram a 2ª Guerra Mundial. No caso do livro de Greene trata-se do carvão; aquelas nações (só a Inglaterra é nomeada, como exportadora de carvão) dependiam dessa fonte de energia e o seu domínio podia significar a vitória na guerra. Da mesma forma que hoje quem tem petróleo tem poder, naquela altura o poder político dependia do poder económico. E a espionagem era a melhor forma de estender os tentáculos sobre as outras nações. Por outro lado, a extração do carvão não se podia fazer sem os mineiros; no entanto, eles são os que menos interessam. Não chegam sequer a ser peões no xadrez da política internacional.
Trata-se, portanto, de uma obra em que Greene demonstra toda a sua capacidade de análise e de reflexão sobre o mundo em que viveu, no caso deste livro no final desses terríveis anos trinta do século passado.
Tecnicamente talvez este seja um dos livros menos brilhantes de Greene. Não há nele o caráter reflexivo ou ambiente perturbador de Um Americano Tranquilo; não há a emoção e o ritmo narrativo de O Fim da Aventura; não há o humor desconcertante de O Cônsul Honorário ou do Nosso Agente em Havana. Mas há uma obra equilibrada, uma obra que tendo sido escrita em poucos dias demonstra a capacidade narrativa do seu autor e o aproposito com que aborda os grandes temas do século XX.

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