segunda-feira, 23 de julho de 2012

O Caminho de San Geovanni - Italo Calvino



Sinopse:
Os cinco textos reunidos neste livro fazem parte da série de "exercícios de memória" em que Italo Calvino trabalhava quando morreu. Escritos entre 1962 e 1977, são heterogêneos na forma e na intenção: podem ser descritivos, poéticos, reflexivos, críticos, constituindo narrativas de caráter fortemente espacial e visual. Longe da autocomplacência comum nos relatos autobiográficos, e mais do que narrar eventos e revelar fatos da história pessoal, são quase ensaios sobre o imaginário da infância e da adolescência do autor, ou sobre temas banais como o lixo doméstico. Mas em Italo Calvino nada é prosaico. Nada é trivial para esse escritor que inventou, a partir das imagens da infância em San Remo, um "lugar geométrico do eu" e, desse lugar, pôs-se a ver o mundo.

Comentário:
Esta não é, nem nunca pretendeu ser, uma das mais brilhantes obras de Italo Calvino; não tem nada a ver com a fantasia e criatividade de As Cidades Invisíveis, com a graça e delicadeza de Palomar nem muito menos com a genialidade poética de Se Numa Noite De Inverno Um Viajante… este é apenas um exercício de escrita que apelam às memória do autor.
Na contracapa desta edição da Teorema diz-se que se trata de um conjunto de “exercícios de memória”; eu diria antes que se trata de exercícios de escrita, sem qualquer ambição, sem qualquer intuito de criar uma obra de arte literária, tão só textos que parecem ter sido escritos para o próprio escritor, como uma espécie de devaneio literário.
No entanto, é precisamente nessa ingenuidade literária que reside o grande mérito destes escritos.
Trata-se de cinco textos que abordam temas absolutamente triviais. Que autor desprovido de génio teria construído sobre estes temas algo de literariamente belo? Nenhum! Só mesmo um génio como Calvino.
O primeiro texto fala-nos do caminho para a feira, que o autor trilhou com pai durante a sua meninice. O segundo debruça-se sobre os filmes que o autor viu na adolescência e juventude. O terceiro é o único conto que nos fala de algo que foge à referida trivialidade; descreve, de forma dramática e poética, uma batalha da segunda guerra mundial em que o autor participou. O quarto texto, o meu preferido, fala, imagine-se, dos sistemas de recolha de lixo doméstico em Paris! O último conto é um puro exercício de escrita sobre a relatividade do espaço e das formas; algo que fica a meio caminho entre o barroco da linguagem e o devaneio filosófico.
Enfim, um livro que se lê facilmente, sem grande interesse literário mas importante para quem quiser compreender um pouco melhor a biografia, as ideias e a carreira literária deste grande génio da literatura europeia. 
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