quinta-feira, 15 de novembro de 2012

O Inverno do Mundo - Ken Follett




Sinopse
Depois do extraordinário êxito de repercussão internacional alcançado pelo primeiro livro desta trilogia, A Queda dos Gigantes, retomamos a história no ponto onde a deixámos. A segunda geração das cinco famílias cujas vidas acompanhámos no primeiro volume assume pouco a pouco o protagonismo, a par de figuras históricas e no contexto das situações reais, desde a ascensão do Terceiro Reich, através da Guerra Civil de Espanha, durante a luta feroz entre os Aliados e as potências do Eixo, o Holocausto, o começo da era atómica inaugurada em Hiroxima e Nagasáqui, até ao início da Guerra Fria. Como no volume anterior, a totalidade do quadro é-nos oferecido como um vasto fresco que evolui a um ritmo de complexidade sempre crescente.
Comentário
A análise que fiz do primeiro volume desta trilogia já revelou que não me tornei um adepto incondicional de Follett. Não vou dizer que é um mau livro, nem sequer um livro vulgar. Mas não é uma obra de exceção. Este segundo volume não me entusiasmou muito mais que o primeiro, embora reconheça uma maior fidelidade histórica e um pouco mais de criatividade no domínio ficcional.
Follett tem nestes três volumes um projeto muito ambicioso: sintetizar a história europeia do século XX (ou pelo menos os seus principais momentos) envolvendo-a num plano de ficção construído em torno de cinco famílias de diversas nacionalidades. Assim, torna-se incontornável a comparação com Guerra e Paz, essa obra imortal de Tolstoi. No entanto, não era difícil adivinhar que a obra de Follett fica a perder. Por um lado, o âmbito cronológico da obra é imenso, em comparação com o muito mais restrito espaço temporal de Tolstoi; por outro lado, em termos de ficção, o enredo parece-me demasiado previsível e recheado de lugares comuns: casamentos e divórcios, triângulos amorosos, desencontros e reencontros nas circunstâncias mais inesperadas (as famigeradas coincidências que têm sempre as “costas largas”).
Não quero com isto, de maneira nenhuma depreciar a obra, até porque ela tem o imenso valor de divulgar fenómenos históricos que precisam sempre e cada vez mais de ser relembrados, nesta época de incertezas que vivemos. Na verdade, o século XX, o século do povo na feliz expressão de Mário Soares, foi também um século de imensas desgraças. Melhor dizendo, um século de enormes erros humanos que custaram a vida a milhões de pessoas. Foi um século de extremos; de imensa e belíssima criatividade artística, de inacreditáveis progressos tecnológicos mas também foi o século em que mais de cem milhões de pessoas morreram em guerras. Cerca de trinta destes cem milhões morreram nos dois conflitos bélicos que este volume aborda: a guerra civil espanhola e a segunda guerra mundial; duas desgraças provocadas, em grande parte pela loucura insana de alguns líderes políticos, como Hitler, Mussolini, Franco, Estaline, etc.
Neste âmbito mais pedagógico, de divulgação do conhecimento histórico, esta obra tem imenso valor. A isto podemos somar um esforço louvável e bem conseguido de isenção na análise, se bem que a simpatia do autor pelas ideias de esquerda me pareça clara.
Trata-se, e suma de uma obra que devia ser lida por todos os estudantes de História e por todos os que se intessam pela história do século XX, bem como pela evolução das ideias políticas no mundo contemporâneo. Muitos assuntos mais pontuais me levam a valorizar ainda mais o livro: a análise fria e límpida do papel de Churchill no desfecho da guerra, a análise dos movimentos fascistas nos países democráticos, a compreensão correta do drama dos súbditos da ditadura estalinista na URSS, o heroísmo da resistência francesa, o papel assinalável dos voluntários no trabalho humanitário de socorro às vítimas da guerra, etc. etc. Numa apreciação muito subjetiva devo dizer que a dimensão histórica me fascinou, ao contrário do enredo ficcional; mas nem assim deixa de ser uma obra de qualidade e de leitura muito fácil.
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