domingo, 12 de setembro de 2010

O Toque da Morte - Stephen Booth

Desde os tempos do grande Mestre Sir Arthur Connan Doyle, já há mais de cem anos, a literatura policial tem sido um género quase estafado, tal é o número de romances do género que todos os anos são publicados. Esta abundância, explicada por uma procura constante e entusiasmada, exige cada vez mais inovação. Já não é possível ficar pelas sessenta paginazinhas da colecção Vampiro. Daí que, escritores com alguma ambição, como é o caso deste, procuram adornar as suas histórias com temas de intervenção política, ecológica, social, etc. É o que se passa com este livro: uma miscelânea estranhíssima, uma espécie de sopa da pedra, constituída por uma investigação do tipo CSI rural, onde não falta a detective jovem e bonita, ao lado do polícia ultra-honesto, solteirão e desarrumado, à mistura com uma estória de crime e mistério, onde se fala também da caça e dos crimes ou “crimes” que envolve, a comercialização de carne de cavalo e até a espionagem do tempo da guerra fria e o medo do holocausto.
De tudo isto resulta um enredo pastoso, onde o suspense se perde no meio de tantas páginas de diálogos inúteis, considerações secundárias, descrições desnecessárias e, a cereja em cima do bolo, um final previsível.
Na verdade, cada vez é mais verdade que comprar um livro porque é novidade, porque tem uma capa apelativa ou porque foi muito bem propagandeado pela editora constitui um verdadeiro jogo de roleta russa com o dinheiro e o tempo que se gasta a ler.
Um livro absolutamente dispensável. Perante esta obra só me ocorre pensar em tantos escritores portugueses que certamente passam desapercebidos às grandes editoras e com uma qualidade indubitavelmente superior a este “Toque da Morte”.
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