terça-feira, 26 de abril de 2011

Como Água para Chocolate - Laura Esquível

Quando se mistura um livro de culinária com uma história de amores desencontrados, só pode sair daí uma enorme caldeirada. Foi o que este livro, embora pequeno, me fez lembrar - uma grande caldeirada, fabricada com ingredientes peculiares: um dramalhão de amor, um livro de receitas culinárias, uns quantos terroristas da guerrilha mexicana de Pancho Villa e uns toques da fantasia literária sul-americana, encaixadas à força no romance.
Mas nem por isso se trata de um mau livro; se o fosse não teria, certamente, vendido tantos exemplares. Na verdade, o enredo é bastante imaginativo e o final é interessante pela criatividade e originalidade. Pena é que, pelo meio, os personagens vão morrendo em catadupa, pelos motivos mais variados que se possa imaginar, desde o vulgar envenenamento a um ataque fulminante de flatulência passando por uma ingestão massiva de fósforos.
Pedro ama Tita, mas casa com Rosaura. Tita ama Pedro mas acha que gosta de John e não casa com nenhum deles; refugia-se na cozinha. Gertrudis não ama ninguém mas tem um ataque de uns calores “esquisitos” e foge com os revolucionários. A mãe delas tinha um desgosto de amor (para não fugir à regra) e por isso era uma mãe malvada. Uma verdadeira Cruella. Rosaura, desgostosa por Pedro continuar apaixonado por Tita engorda até rebentar (literalmente). Como se vê, não faltam motivos de interesse para despertar a imaginação de quem lê.
O contexto histórico foi pouco explorado, o que é uma pena porque se trata de uma época interessantíssima: no México de inícios do século XX, quando os bandos armados de Pancho Villa e Emílio Zapata, lutando contra a ditadura de Vitoriano Huerta, espalharam o terror pelas propriedades agrícolas da região.
Em suma, parece-me um livro interessante mas que fica muito aquém dos grandes romances sul-americanos, em que a fantasia e o misticismo encantam quem lê. Neste caso, a culinária desvia-nos (a meu ver, é claro) desse encanto fantástico que a tradição literária da América latina tão bem soube explorar com escritores como Garcia Marquez ou Isabel Allende.
Avaliação Pessoal: 7.5/10

13 comentários:

Sr. disse...

uma autora a considerar.
agora fora de contexto, para quando uma fotografia no blog da estante onde guardas os teus (muitos) livros? digo isto porque nutro de um inexplicável fascínio por observar as estantes de outros leitores.
pense nisso Manuel ;)

Manuel Cardoso disse...

Ora aí está um desafio. Mas só de pensar nas arrumações que tinha de fazer, até tremo :)
O Blogue Destante está a publicar fotos de estantes de escritores. Um dia destes vou desafiar os meus colegas desse blogue para publicarmos as nossas estantes :)

Sr. disse...

E ao se lembrar das suas arrumações faz-me pensar nas minhas também que se vão adiando cada vez mais :) Acho que lhes fazia um bom desafio e publicava também a sua. Entretanto passo no Destante para ver as fotos publicadas ;)

Paula disse...

Olá Manuel, depois de ler o teu comentário fiquei admirada com o teu 7,5 em 10...
Não foi muito para quem anotou tantos aspectos menos bons??
:)
Abraço

Manuel Cardoso disse...

Tem lá estantes de fazer inveja, Sr.
Paula, eu às vezes exagero um bocadinho :)
Mas não são assim tantos aspectos negativos :): também digo que se lê muito bem, que tem um final muito interessante, que é imaginativo...
Além disso, como alguém já disse: não há maus livros. Digamos que sendo 5 a nota mínima que eu posso imaginar para um livro que me disponha a ler, então 7.5 está a meio da escala :) (isto é que é ginástica matemática)

Paula disse...

Tenho mais estantes de um escritor para colocar no Destante...
LINDAS!!!!!!!!!
:)
Vou colocar amanhã.

Manuel Cardoso disse...

uau... Paula, não me digas que ~são as fotos das estantes do Gonçalo M Tavares? Tão simpático que ele é!!!

Sr. disse...

estou aqui à espera das estantes que lá colocarem ;)

Teresa Fidalgo disse...

Manuel,

Este está, sem dúvida, entre os meus livros preferidos!!!

Li-o 3 ou 4 vezes. O filme também não me decepcionou, pelo contrário...

É um livro que encerra em si, para além do dramatismo que o caracteriza, uma grande dose de sensualidade.

Podia ser eleito o livro mais sensual de todos os tempos, que não seria descabido.

Um grande abraço!

Teresa Fidalgo disse...

Manuel,

Esqueci-me de acrescentar que, para mim, este é também um livro que considero muito bem escrito, mas sem pretensões e que se lê bem em qualquer lado e em qualquer circunstância.
É, de facto, um livro leve, mas carregadíssimo de emoções. Dramáticas, mas extremamente positivas - este encontro dos desencontros atrai-me.
Lindo!!!

Manuel Cardoso disse...

Olá Teresa
Eu até posso concordar contigo, embora não me tenha sensibilizado tanto, mas não gostei daquela mistura com a gastronomia. Nem te sei dizer porquê... enfim, coisas que não se explicam....

Paula disse...

As estantes de GMT???? ahahahahah
Esta tem graça!!
Primeiro, não há contacto do autor disponível em lado nenhum (que eu tenha visto, nem facebook tem), segundo, para solicitar uma entrevista acho que tem de ser através da Porto Editora que barra logo os "Spams" e faz de filtro a quem o quer entrevistar e terceiro, as estantes...impossível!!!!!

Tiago M. Franco disse...

Manuel,
Este foi um livro que me deu bastante prazer em ler, a escrita de Esquivel é simples e apelativa, além disso a historia esta muito bem contada, tem cenas de “novela mexicana” o que também agrada a muita gente, mas julgo que a parte histórica foi esquecida, além disso o que aprendemos no final do livro? Julgo que estes são os dois piores aspectos da obra. Mesmo assim de uma escala de 1 a 10 (para mim é mesmo de 1 a 10) atribuía-lhe 6 valores, o que bem vistas as coisas é um pouco mais que a sua pontuação ;-)