quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Lendo António Lobo Antunes (Sôbolos Rios que Vão)

Os livros de António Lobo Antunes deixam-me sempre surpreendido por um fenómeno estranho: o assunto é de uma tristeza avassaladora, os ambientes são cinzentos, os personagens infelizes e toda a estória é angustiante. Mas não consigo parar de ler; ainda ontem discutíamos aqui no blogue quais os ingredientes de um bom livro e concordamos que é preciso emoção; é preciso que o livro nos emocione. E António Lobo Antunes ensina-nos que não são só as emoções agradáveis que dão beleza e encanto à arte das letras; é também esta tristeza que ALA espalha pelas páginas; os tons cinzentos da memória de Antoninho, um homem com cancro que, no hospital, vive os seus últimos dias.
É a beleza da tristeza, em todo o seu esplendor. E a beleza das palavras por si só; a arte de passear pelas palavras.
A meio da leitura, fico com a sensação de que este não é o melhor livro de ALA; está longe da raiva exultante de Os Cus de Judas ou da profundidade psicológica de Ontem não te vi em Babilónia. Mas não deixa de ser um excelente livro.
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