quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Uma Carta inédita de Abraão Forjaz

Tu Ana Karenina, eu Alexei Vronski, eu um frágil caule, tu a terra que me faz crescer, eu uma página de um romance de amor, tu a mãe de todos os heróis da mitologia grega, tu Afrodite, aquela que resume a Beleza num pedaço de céu, tu Atena, a sabedoria, a musa, aquela que desenha as órbitas errantes dos cometas, tu Hera, a rainha das Deusas ou a flor amarela do deserto.
Nós sonhados apenas num qualquer mar ou na ilha que há no meu peito, esse lugar único onde te encontro, onde cintila a luz pequena mas imortal da tua alma.
Nós e um livro, quem sabe um romance de amor ou talvez só uma página lida a dois, frente e verso de um amor, uma folha caída de um Outono qualquer, um episódio talvez do Amor em Tempos de Cólera, tu Fermina Daza e eu Florentino Ariza, tocando violino ao sabor do vento para te encantar os sonhos, eu apenas o pagem tu a Majestade que me inebria.
E talvez um tempo haja em que todos os sonhos floresçam, em que as flores do deserto triunfem, em que as órbitas dos cometas errantes se desenhem num coração de adolescente gravado numa árvore, eu e tu num círculo perfeito, os dois na cauda do cometa, desenhando no céu o nome de um amor assim escrito na eternidade.
Carta de Abraão Forjaz, manuscrita e inédita
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