terça-feira, 25 de outubro de 2011

Um livro. Nada. Ou tudo.

Uma página de um livro, uma janela, uma ponte para o sonho, um ponto vermelho no negro de uma qualquer solidão, uma força que emerge na fronteira entre a vida e o abandono, a fuga para um mundo distante onde não ardem as fogueiras do desespero, onde as marcas do mundo não nos oprimem.
Uma página de um livro, uma ponte feita contigo, tu que lês do outro lado do mundo, para lá desta estrada marcada nas nuvens de um delírio… um delírio talvez de amor… um livro, o mesmo livro, o mesmo sonho feito de dois sonhos unidos na distância. Um sonho, dois sonhos, muitos sonhos e delírios unidos pelas mesmas palavras, os mesmos sons balbuciados baixinho no calor da insónia, no escuro da solidão, no desespero calado de estar só.
Um livro, traço de união, conjunção de mundos, encruzilhada de emoções, espelho de almas, lido como quem foge, porque quem lê foge sempre de algo, nem que seja de um nada, de um vazio, de um buraco negro na via láctea do destino, de um não ser que às vezes nos dilacera, nos desespera, um não querer ser, um nada… uma noite escura e fria como a solidão.
Um mundo, um livro, mil corações solitários aquecidos pelas mesmas letras, as mesmas palavras, o mesmo sofrer e o mesmo rir, de alguém que escrevendo foi a fogueira que aqueceu as almas assim unidas, assim feitas uma núnica constelação.
Obrigado, livro!
(Texto inédito de Abraão Forjaz)
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