terça-feira, 6 de agosto de 2013

Tsunami - Robert Muchamore




Num país em que se lê tão pouco e em que se acusa os jovens (por vezes injustamente) de lerem pouco, é com enorme satisfação que assisto ao sucesso destes livros em boa hora editados em Portugal pela Porto Editora.
Entre os jovens e adolescentes, tão grande tem sido o sucesso desta coleção CHERUB que me decidi a experimentá-la.
Esta primeira série é constituída por 12 livros, todos eles versando a atividade de uma ficcionada agência pertencente aos serviços secretos ingleses, cujos agentes têm uma caraterística peculiar: têm entre 10 e 17 anos de idade. A ideia de Robert Muchamore é genial: imaginar uma agência secreta composta por jovens, de forma a tirar partido da sua facilidade de aprendizagem e do inesperado da situação para os malfeitores. Os agentes (querubins) são recrutados em lares de acolhimento e dispõem de uma sofisticada preparação, numa academia preparada para o efeito: a CHERUB.
Como não pretendia ler a coleção toda decidi começar pelo último. Percebe-se de imediato que não é necessário seguir a ordem de publicação para se compreender o enredo. E percebe-se também que estamos perante uma obra de grande qualidade.
A leitura deste volume fez-me pensar numa coisa: porque é que a literatura tradicionalmente apelidada de infanto-juvenil faz tão pouco sucesso em Portugal? Não andarei longe da verdade se concluir que tais obras caem num pecadilho que não vemos em Muchamore: o de considerar, de certa forma, os jovens como mentecaptos, apresentando enredos muito simplistas. Pelo contrário, nesta obra, não só se respeita a capacidade de raciocínio dos jovens leitores como lhes lança desafios de raciocínio muito interessantes, para além de se aventurar em temas que, na nossa mente tradicionalista muitas vezes consideramos “para adultos”.
Para além da muita emoção que o enredo proporciona é também assinalável valor pedagógico da obra, ao envolver temas muito atuais e polémicos, como os direitos das minorias e as opções sexuais dos jovens.

Muito interessante também a forma como se destaca um problema grave que, infelizmente, é bastante esquecido nos nossos dias: o aproveitamento político e principalmente económico que alguns poderosos fazem das grandes catástrofes naturais, sempre em prejuízo dos mais desfavorecidos. É assim neste volume, em que se denuncia o aproveitamento por parte do turismo do terramoto e maremoto que assolou o sudoeste asiático e que foi justificação para retirar terrenos às populações locais, que constituíam as suas fontes de subsistência, transformando-os em luxuosos empreendimentos turísticos.
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