sexta-feira, 16 de maio de 2014

Notas ao Acaso - Francisco F. Gomes


Não sou versado em poesia porque nunca cultivei esse gosto.
Mas até eu, que nunca fiz dos versos um prazer, fui capaz de sentir nesta escrita a beleza que há em palavras que são brisas do vento da montanha; em silêncios ouvidos entre versos; na musicalidade das rimas e, acima de tudo, na alma, no sentir que há nas palavras de Francisco F. Gomes.
Este é um livro modesto; não é Camões nem Pessoa, mas é alguém que sente e faz transpirar esse sentir para palavras cuidadas, meditadas e principalmente sentidas. É a voz da terra e a voz dos homens; é a voz do planalto, esse mundo mágico em que nasci, mas também o sentir e o sofrer das suas gentes, num Portugal enganado, perdido em veredas escuras de crises fabricadas e em centralismos egoístas. É o eco da terra e das árvores. É o sussurro de um rio só ouvido por quem sente a sua corrente no próprio sangue que lhe corre nas veias. É a voz do pescador que se sente extasiado ouvindo o silêncio que um qualquer Deus criou para que o homem desprezasse, na sua absurda ambição civilizacional.
Numa edição de autor, sem luxos mas com o brio simples de gente que ama e vive a terra, Francisco F. Gomes leva o leitor a viver as mais sublimes paisagens... as da terra e as da alma.
Uma poesia simples, singela, sincera e carregada daquilo a que podemos chamar de beleza natural. Porque a natureza também está na alma. Francisco Gomes é um viajante, mas nas suas páginas estão raízes: da terra que o viu nascer, no verde Minho que me criou. E também a terra que o acolheu: o planalto que me fez nascer, em terras de Miranda.
Foi com sentimento que li este livro, porque me fez reviver a infância ao correr silencioso e fresco do rio Cávado; mas foi também com a certeza de estar perante um desses poetas que nunca o pretendeu ser mas que o é por excelência. Porque poeta é aquele que fala verdade com a voz da alma.

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