segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Diário de Um Killer Sentimental - Luís Sepúlveda

O Diário de Um Killer Sentimental é mais uma prova da versatilidade deste magnífico escritor.
Já tinha lido em vários sítios que este é um dos escritores mais versáteis da actualidade. Cada livro que vou lendo dele, na verdade, é uma novidade. Nenhum é igual ou idêntico ao anterior.
Neste caso trata-se, ao mesmo tempo, de uma sátira às estórias de gangsters e de um livro sobre como o amor é capaz de modificar o coração mais empedernido.
O herói da narrativa é um homem duro. Um matador profissional, frio e implacável. Ele nunca falha; o gatilho, para ele, é como a escova de dentes para um comum dos mortais. Ele não faz perguntas sobre quem vai matar; nem quer saber de quem se trata nem porque vai morrer. Sabe apenas que tem de matar, mata sem piedade nem qualquer sentimentalismo… até ao dia em que conhece uma jovem francesa por quem se apaixona.
Tudo se modificará na vida deste killer, agora sentimental. Começa a desleixar-se, a cometer erros, a compadecer-se de algumas vítimas. Não deixará de ser um profissional, continuará a matar, mas como dirimamos em linguagem corrente, o seu coração amoleceu.
Terá sido a paixão a trazer-lhe um pouco de humanidade. No entanto, nem tudo é simples; aos erros cometidos acrescenta-se o ciúme (outro sentimento que nunca experimentara) e, de repente, o trabalho misturou-se com a sua vida pessoal. É o primeiro passo para o descalabro.
O final, surpreendente, deixa-nos, como sempre acontece nos livros de Sepúlveda, como um gosto amargo na boca: queríamos mais! Na verdade, a escrita deste chileno, precisa e cuidada, tem esta qualidade que por vezes se transforma num problema: os seus livros são pequenos, causando uma certa decepção ao leitor…
Avaliação pessoal: 8.5/10
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