terça-feira, 9 de agosto de 2011

O País do Carnaval - Jorge Amado

O País do Carnaval é o primeiro romance de Jorge Amado, escrito em 1930, quando o escritor tinha apenas 19 anos.
Embora seja nítida a sua falta de maturidade como escritor é curioso assistirmos, ao longo da leitura, ao nascimento de um génio. A qualidade da obra revela como, com uma idade tão precoce, Amado consegue construir já um enredo tão elaborado e interessante.
Viviam-se as vésperas da instauração do regime de Getúlio Vargas. O Brasil atravessava uma crise que se reflectia na alma dos jovens retratados no livro, entre os quais o principal personagem, Paulo Rigger, um jovem abastado mas desiludido com o seu país. Juntamente com alguns amigos, constituem um círculo intelectual em torno de Pedro Ticiano, um jornalista veterano, desiludido e céptico.
O cepticismo de Ticiano depressa contagia os jovens, que procuram a felicidade e o sentido da vida, sem nunca o encontrarem; o amor, a política, a filosofia, tudo se torna vão, nada consegue dar sentido às suas existências; o próprio país, mergulhado na crendice e nas ilusões do carnaval pouco ou nada diz a estas mentes inquietas.
Neste sentido, o livro é uma crítica mordaz ao Brasil daquela época, um país incapaz de inculcar qualquer esperança à juventude.
A descrença é total; Ricardo apaixona-se e casa; parece que o amor será capaz de dar a resposta; mas fica a inquietação; fica a marca do cepticismo de Ticiano e depressa o amor cede ao pessimismo. Também Paulo de apaixona mas a paixão que o fizera sorrir por momentos cai aos pés implacáveis do preconceito ao qual nem ele, jovem moderno e inteligente, consegue resistir.
Afinal, conclui-se aquilo que Ticiano vaticinara no início do livro: a felicidade só está ao alcance dos idiotas, daqueles que não pensam.  “A felicidade pertence somente aos burros e aos cretinos. Felizmente, nós somos infelizes”.
Afinal de contas, este negativismo viria, em grande parte, a dissipar-se na obra posterior do grande escritor brasileiro. Mas é preciso enquadrar este livro na época; por um lado, na ingenuidade dos dezanove anos do autor; por outro lado no contexto sócio-económico de um país em crise, por motivos internos mas também vítima da grade crise capitalista de 1929.
Avaliação Pessoal: 8/10
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