quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Ivanhoe - Walter Scott


Walter Scott é considerado o criador do Romance Histórico e este Ivanhoe é o seu livro mais famoso.
A acção decorre na Inglaterra do século XII, numa altura em que se digladiam o mítico herdeiro do trono, Ricardo Coração de Leão e seu irmão, João Sem Terra (o Príncipe John da lenda de Robin dos Bosques), que usurpou o trono a Ricardo enquanto este combateu nas cruzadas. Regressado secretamente à Inglaterra, Ricardo conta com o apoio do povo e de um grupo de bravos cavaleiros, entre os quais Ivanhoe, para recuperar o trono. Não poderia no entanto faltar a estória de amor, em que Ivanhoe se enamora pela bela Rowena, protegida de Cedric, um nobre tradicional da aristocracia saxónica que é nada mais que o pai de Ivanhoe, que o deserdara por abandonar os hábitos tradicionais saxónicos, tornando-se cavaleiro.
Mas este magnífico romance vai muito além do romance de aventuras e de cavalaria. Estão aqui bem patentes alguns dos fenómenos que mais indelevelmente marcaram a Idade Média europeia, nomeadamente a questão dos judeus, a luta entre saxões e normandos na disputa do trono e a questão dos templários.
Os judeus são vistos por Walter Scott de uma forma muito peculiar; por um lado o autor apresenta-os como vítimas do fanatismo religioso da época, que faz deles pouco mais do que seres diabólicos, alvo de todo o desprezo e injustiças. Mas, por outro lado, descreve-os como impiedosos usurpadores da riqueza, enriquecendo à custa da usura. Mas não se pense que há aqui qualquer espécie de anti-semitismo por parte do autor; ele encara esse espírito usurário como única forma que os judeus encontraram de se afirmar na sociedade inglesa e, quando muito, como forma de vingança em relação aos cristãos: se eram humilhados pela religião, eles procuravam vingar-se no enriquecimento material.
Este livro aborda também de uma forma muito interessante a afirmação dos normandos na elite política e social inglesa, como uma expressão de modernidade, perante o tradicionalismo da nobreza saxónica. A moderna Inglaterra vê-se nascer nestas páginas de Scott, pela afirmação destes cavaleiros normandos. No entanto, muitos dos traços da tradição saxónica haveriam de sobreviver no moderno espírito inglês, nomeadamente ao nível das crenças, dos costumes e da língua.
Nesta obra, entre os apoiantes do pouco simpático príncipe João aparecem os Templários. No entanto, a vitória de Ricardo haveria de marcar o princípio do fim desta polémica ordem religiosa. Os cavaleiros do Templo são aqui anunciados como exemplos de falsos cavalheiros que aproveitavam a fama e a glória das cruzadas para disporem a seu bel-prazer das honrarias e porem em prática toda a espécie de abusos que os haveriam de marcar de forma indelével na história da Europa. Por outro lado, do lado de Ricardo aparece-nos o povo humilde, destacando-se o encantador bando de salteadores de Robin Wood e do inimitável Frei Tuck.
Ler estas aventuras torna-se uma aventura que nos faz reviver o mundo encantado dos romances de aventuras que povoaram a infância da maior parte de nós. É uma experiência encantadora que aconselho a todos os leitores que o tempo já afastou dessa infância.
Para mim, reler este livro foi como entrar num mundo encantado de sonhos e aventuras juvenis, para além de retirar dele toda uma informação histórica que nenhum de nós retirou certamente nos tenros anos juvenis.
Avaliação Pessoal: 9.5/10
Trailler do filme Ivanhoe de 1952, com Robert Taylor e Elisabeth Taylor:


Enviar um comentário