quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Quando Sopr@ o Vento Norte

Num jogo de futebol, um avançado corre com a bola para a baliza e é derrubado. O árbitro assinala grande penalidade, que é o castigo máximo. O jogador que vai marcar a grande penalidade tem a bola colocada no solo a 11 metros da baliza. Esta, tem mais de sete metros de largura: uma enormidade. Apenas o guarda-redes pela frente. No entanto, por vezes, o jogador atira ao lado ou permite a defesa do guarda redes. Foi o que fez Daniel Glattauer: conquistou uma grande penalidade, teve a oportunidade maior, mas atirou ao lado.
Por outras palavras: teve uma grande ideia, concretizou-a da melhor maneira em termos formais mas atirou ao lado falhando, a meu ver, no destino que deu aos personagens.
Especificando:
A ideia é brilhante porque, sendo original na literatura de ficção, aborda um assunto actual; situações destas acontecem, de facto na vida. Leo Leike e Emmi Rothner conhecem-se por acaso através de um e-mail extraviado. Quer dizer, conhecem-se virtualmente; um e-mail recebido por engano é o ponto de partida para uma longa troca de correspondência em que a intimidade e o sentimento crescem incessantemente.
No entanto, aquilo que à partida é uma situação divertida vai-se transformando num turbilhão de sentimentos contraditórios, medos, desconfianças e acusações. No bom estilo germânico, Glattauer conduz os personagens para um verdadeiro beco sem saída, em que o medo vai vencendo. Nunca Leo e Emmi serão capazes de viver uma realidade divertida e positiva, porque nunca se encaixam no presente que vivem; apenas alimentam o turbilhão de dramas mentais, baseados no medo do futuro.
Escrevi acima que o autor desperdiçou uma excelente ideia porque deu ao enredo um rumo inverosímil pela negatividade que os personagens teimam em atribuir à sua relação. Tudo se torna negro: o contexto familiar dos personagens, a interpretação tendencialmente negativa que cada um dá às mensagens do outro e a dificuldade quase infantil em manter o segredo da relação.
Não quero, evidentemente, revelar o final da estória. Mas devo dizer que me decepcionou pelo simplismo. No entanto, a decepção que este livro me causou tem mais a ver com essa negatividade, esse pessimismo, essa frieza que, no fundo, advém de uma emoção humana tão inútil e nefasta: o medo.
Ainda assim, acredito que não é isto que acontece na vida real.
Para finalizar, e porque tudo na vida tem lados positivos, dois aspectos que me agradaram neste livro: a fluidez da escrita, que permite uma leitura rápida e agradável e uma capa magnífica, a que a Porto Editora já nos habituou.
Avaliação Pessoal: 7/10
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