terça-feira, 19 de julho de 2011

O Quarto de Jacob - Virgínia Woolf

Costuma dizer-se que Virginia Woolf é uma pioneira no modernismo literário europeu. Pessoalmente, acho muita piada a estes carimbos. Acho piada porque é um carimbo ridículo. É uma espécie de contentor onde cabe toda a espécie de coisas. Tudo quanto é literatura da primeira parte do século XX, desde que seja minimamente original, não-linear ou um pouco mais subjectivo, é considerado modernismo. Por isso se cai no ridículo de meter no mesmo saco Woolf, Kafka, Pound, Austen, Proust, etc. Repare-se o que tem a ver Kafka com Proust? Eu diria que muito pouco ou nada? Que parentesco há entre Austen e Pound? Nada, a não ser o carimbo do modernismo.
É claro que esta classificação tem origem na arte. Na pintura, é bem clara uma ruptura com os cânones tradicionais, efectuada pelos magníficos impressionistas franceses. Mas na literatura tudo é diferente; aqueles a que chamam modernistas foram artistas individuais, sem escola. Quem somos nós para lhes inventar uma “escola” e os metermos todos lá dentro?
Pois este "O Quarto de Jacob” não é mais que uma expressão de liberdade da autora, desejosa de quebrar com os cânones e escolas e exercer a mais pura liberdade literária.
Daí resultou um livro pequeno mas com centenas de personagens, que desfilam aos olhos do leitor como figuras de uma procissão profana, alheios ao fio da meada que o leitor quer a todo o custo encontrar. A vida de Jacob é-nos contada de à medida que as imagens mentais da escritora vão sendo passadas ao papel, exactamente como nos quadros de Degas ou Monet: grandes manchas difusas que o leitor há-de reconstruir, por mais que lhe custe.
Woolf escreve como quem passeia: deambula pelos diferentes tempos de narração, vai descrevendo os estados mentais dos personagens, descreve paisagens e cenários, sempre deixando-se levar pela mente ou pela caneta. Parece não haver um destino nestas deambulações; tudo se passa como numa peça de Jazz: num aparente e permanente improviso.
Não é um livro que facilmente ganhe a simpatia do leitor; é um belo exercício literário mas o carácter lúdico da leitura perde-se. Nesse sentido, o génio de Woolf é um génio um tanto egocêntrico: Woolf nunca pensa no prazer do leitor, mas no seu próprio devaneio. E isso, a um leitor comum e desinteressado como eu, não agrada muito…
Avaliação Pessoal: 7.5/10

2 comentários:

Anónimo disse...

Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir.
Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.
Amigo a gente sente!

Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.
Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.
Amigo a gente entende!

Benditos os que guardam amigos, os que entregam o ombro pra chorar.
Porque amigo sofre e chora.
Amigo não tem hora pra consolar!

Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.
Porque amigo é a direção.
Amigo é a base quando falta o chão!

Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros.
Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.
Ter amigos é a melhor cumplicidade!

Feliz dia do amigo!

Bjs. crign

Manuel Cardoso disse...

Obrigado, Fátima. Muito bonito :)