domingo, 31 de julho de 2011

Jane Eyre - Charlotte Brontë

Para ir directo ao assunto, este é um livro empolgante.
Sem a profundidade psicológica da sua irmã Emily, Charlotte Brontë narra-nos a vida de Jane Eyre de uma forma entusiasmante pela emoção que consegue imprimir à narrativa.
Em termos de estilo, é nítido o traço indelével da literatura romântica: uma história dramática, onde se cruzam os sofrimentos atrozes do coração com um conceito de felicidade idílica atribuída ao amor platónico, quando materializado.
Jane Eyre (de quem alguns dizem encerrar traços auto-biográficos de Charlotte) é uma menina órfã infeliz, vítima de uma educação brutal. Primeiro a tia e as primas que a acolheram sem qualquer amor e depois um colégio interno mais do que espartano, onde as crianças eram submetidas aos piores tormentos. Depois, aos dezoito anos, a emancipação; a procura do amor; novamente, o abandono; a desgraça do sofrimento sentimental mas também físico; Jane quase morre de fome; finalmente a redenção pelo amor, como todos os ingredientes do romance romântico: o livro só poderia terminar com a tragédia ou com a felicidade suprema. O leitor descobrirá.
Um aspecto interessante desta obra, que a distingue da sua contemporânea Jane Austen é o papel activo da mulher; ao contrário do romantismo mais tradicional de Austen, aqui  mulher tem um papel activo na sociedade, com ou sem casamento, contrariando também o espírito da época.
Uma palavra para a capa do livro. Muito estranha mesmo. Gostava que alguém da editora (book.it) me explicasse isto: que sentido faz uma capa com uma bela mulher mas com características físicas totalmente diferentes da personagem do livro? E porque é que a menina da foto usa um vestido do século XXI quando a narrativa se passa no séc. XIX? E, já agora, porque é que na contracapa nos é revelada boa parte da história, retirando emoção à leitura?
Seja como for, é um livro que vale a pena ser lido. Leitura fácil, emocionante e com um ritmo narrativo notável; Brontë não perde tempo com descrições supérfluas, nem com diálogos inúteis. Isto dá à narrativa uma fluidez muito agradável.
Avaliação pessoal: 9/10
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