segunda-feira, 21 de abril de 2014

A História Interminável - Michael Ende

Sinopse:
A História Interminável é uma singular fantasia épica com todos os requisitos do género: criaturas fantásticas, paisagens exóticas, florestas sombrias, encantamentos, rituais de cavalaria, espadas e amuletos, uma imperatriz Criança e tudo aquilo que possamos imaginar, visto que Fantasia é o próprio mundo da Imaginação. Tudo começa quando Bastian descobre um estranho livro numa não menos estranha livraria e se sente subitamente compelido a roubá-lo como se algo de mágico o estivesse a arrastar para uma perigosa aventura. Uma obra que passou ao grande ecrã como um filme de culto.
Comentário:
Esta é a principal obra deste escritor alemão que se dedicou exclusivamente à literatura de fantasia, especialmente para crianças e jovens. Trata-se de um livro publicado pela primeira vez em 1979 e que deu origem a um filme de grande sucesso, com música do mítico Giorgio Moroder, na voz de Limahl, o não menos mítico líder dos Kajagogoo, uma banda que marcou os nossos saudosos anos 80.
A obra inicia-se com um belíssimo elogio da fantasia; Bastian só gosta de livros de fantasia porque estes são os únicos que não tentam convencer ninguém. Em grande parte, este livro é um hino à alegria de viver, à procura da felicidade através da transposição das fronteiras comuns do tempo e do espaço; é preciso saltar para lá do visível, procurar portas de acesso a mundos sonhados. Mas é também um hino aos livros, único repositório onde se pode guardar o sentido da vida.
Se é verdade que são nítidas as influências de Tolkien não deixa se ser verdade que o enredo deste livro é riquíssimo. A imaginação do autor é prodigiosa, a começar pela caracterização das personagens, as criaturas fantásticas dessa terra imaginária chamada Fantasia.
Quando o nosso herói entra no livro, saindo do seu mundo limitado de aluno medíocre e adolescente fracassado, embarcando na aventura dentro da terra da Fantasia, ele encontra situações que só uma imaginação prodigiosa poderia criar. É esta imaginação que confere ao livro um tom verdadeiramente encantado, capaz de envolver crianças e adultos numa aventura fantástica e inesquecível.
Depois de, na primeira fase do livro, depararmos com todo este mundo encantador, a partir de certa altura o autor conduz-nos para algo mais sério; é que Bastian Baltasar Bux não cederá às tentações do poder. E a partir daí o autor leva-nos até assuntos bem mais sérios, como a natureza do poder e todas as consequência que daí advêm. E para salvar os dois mundos, o da Fantasia e o mundo dos homens, alguém terá de fazer a ponte o real e o sonhado. Só com essa união os homens poderão ser felizes, assim como os fantásticos seres de Fantasia.
Um pormenor interessante é o facto de em Fantasia não haver Bem nem Mal. Tudo aí é necessário, e tal como o tempo e o espaço também o Bem e o Mal são relativos…



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